00h00 - sexta, 21/04/2017

"Bombeiros de Milfontes têm as contas em dia"

"Bombeiros de Milfontes têm as contas em dia"

Presidente desde Outubro de 2014 depois da demissão de Carlos Oliveira e eleito no final de 2016, António Pereira faz o retrato dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Milfontes e garante que a instituição tem uma situação financeira tranquila. "Somos uma associação perfeitamente estável desse ponto de vista", diz em entrevista ao "SW".

A Vida por Vida – Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Milfontes terminou o exercício de 2016 com um resultado líquido positivo de 34 mil euros. Como foi isso possível?
Deveu-se em grande parte ao facto de a Câmara [de Odemira] nos ter dado um subsídio extraordinário de 30 mil euros. E também porque recebemos um apoio extraordinário de 10 mil euros da Junta de Freguesia [de Vila Nova de Milfontes], depois de em finais de 2015 termos adquirido uma nova ambulância.

Esses dois apoios fizeram a diferença?
Sim. No caso da Junta de Freguesia, pedimos ajuda para equipar a ambulância e eles conseguiram dar-nos 10 mil euros. Já a Câmara deu-nos 30 mil euros depois de termos feito um telheiro para colocar algumas das nossas viaturas. Na altura falámos sobre um eventual apoio, tivemos uma reunião com o então vice-presidente Hélder Guerreiro e foi-nos prometido uma ajuda. Acabaram por ser 30 mil euros, o que foi uma boa ajuda! E tudo isso se reflecte no resultado de 2016, pois em 2015 tínhamos tido um resultado líquido negativo de cerca de 7.000 euros.

Pode dizer-se que, neste momento, a associação apresenta uma situação financeira estável?
Sim, somos uma associação perfeitamente estável desse ponto de vista. Houve uma altura em que as contas andaram mais em baixo, mas nada por aí além. Entretanto, entrou para a Direcção o senhor Carlos Oliveira [anterior presidente] e com a experiência dele conseguiu equilibrar isto. Agora o caminho está feito e é só seguir a estrada. Mas é muito complicado, pois queremos dar o máximo aos bombeiros e às vezes vemo-nos de mãos e pés atados.

Como assim?
Se os hospitais nos pagassem a tempo e horas, isto era fácil de gerir…

Mas não pagam, é isso?
Ainda aqui há 15 dias tínhamos por receber uns 60 mil euros, que nos davam bastante jeito. E desses 60 mil euros, 45 mil euros dizem respeito aos hospitais. Dívidas com mais de 30 ou 60 dias. Por exemplo, temos um caso engraçado com o IPO, que tem dívidas para connosco já há algum tempo. E quando nós vamos lá estacionar a ambulância, de dois em dois ou de três em três meses, aparece-nos o papel para pagarmos o estacionamento. São quatro ou cinco euros que nós pagamos sempre… E eles têm lá 13 ou 14 mil euros que são nossos. Talvez seja o Estado que também não lhes paga, não sei.

Contas feitas, têm cerca de 60 mil euros por receber. E dívidas da vossa parte? Há muitas?
Temos as contas todas em dia. Há pagamentos por fazer a oficinas, de gasóleo, mas são facturas a 30 dias… São as despesas correntes normais, que andam entre 25 mil a 30 mil euros por mês. E vamos vivendo assim, fazendo um esforço para que todos se sintam bem e que tenhamos condições para dar socorro à população.

Colocaram uma nova ambulância em funcionamento em 2016. Está previsto mais algum "reforço" do vosso parque automóvel neste ano?
Sim, estamos a tratar de comprar uma nova ambulância. Até porque temos dois carros que já não têm condições e temos de investir. É mesmo uma necessidade urgente! Para 2017 também tínhamos previsto adquirir uma nova viatura de Comando, mas se calhar temos de adiar isso e pensar em adquirir mais um veículo de transporte de doentes.

Neste campo das viaturas já deu para perceber que há carências a suprir na área da saúde. E na questão do combate a incêndios, também faltam viaturas?
Falta a tal viatura para o Comando. Fora isso, esperamos que o que temos chegue. Até porque na nossa área não temos muitos fogos. Normalmente temos mais problemas com as viaturas da saúde que com as viaturas de combate a incêndios.

O quartel corresponde às vossas necessidades?
Um dia teremos de pensar em alargar o quartel. Já pedimos ajuda à Câmara, que já nos desenhou tudo. Agora estamos à esperar a ver se conseguimos, através de algum programa ou do Portugal 2020, candidatar-nos em colaboração com a Câmara para ver se conseguimos ampliar as instalações. Vamos esperar.

Quantas pessoas formam actualmente o corpo de bombeiros de Vila Nova de Milfontes?
Nesta altura, temos 37 elementos: dois no quadro de Comando, um oficial de bombeiro principal supra-numerário, um especialista, três estagiários e 30 voluntários.

São suficientes?
Isso nunca [risos]! Com mais outros 30 é que seriam suficientes. Porque isto é muito complicado e aquilo que nos exigem… Veja que para formar um bombeiro é preciso um ano! É preciso uma pessoa ter muita paciência, sobretudo os mais novos, que andam na escola a estudar para exames e testes e depois, se querem ser bombeiros, têm de andar uma série de semanas a ter formação todas as noites e aos fins-de-semana. Até serem bombeiros demora quase um ano e é preciso ter força de vontade. E depois os apoios não são por aí além… Acho que os bombeiros deviam ter direito a mais alguma coisa. Porque temos amor à camisola, mas ir para um incêndio sujeitos a correr riscos ou a ter um acidente, e receber 1,87 euros à hora é um bocadinho complicado. As pessoas lá de "cima" deviam ter um bocadinho mais de consideração! É certo que não andamos aqui por dinheiro, mas este faz-nos sempre algum jeito.

No dia-a-dia, qual a vossa maior dificuldade?
A falta de pessoal. Principalmente aos dias de semana. É por isso que muitas vezes a comandante e o adjunto têm de sair daqui para fazer serviço. Há dias que chego aqui e não está ninguém, só a pessoa da central [de comunicações]. Mas tem mesmo de ser assim!

No Verão a população de Vila Nova de Milfontes "dispara". Deve ser ainda mais complicado fazer essa gestão do pessoal?
Tem de haver mais disponibilidade das pessoas. Mas o ponto crítico é quando se chega a fins de Setembro, olhamos para a cara do pessoal e vemos que estão desgastados. Porque vão fazer serviços a Lisboa, chegam às três ou quatro da tarde e às cinco há mais um serviço. E depois mais um até chegar o pessoal do turno da noite… São muitas horas por dia e reconheço que não é fácil. Também estive do outro lado e sei dar valor a isso.

Quando chegar ao final do seu mandato, em 2019, que maior obra gostaria de ter concretizado?
Ter mais viaturas ao serviço e mais bombeiros. Isso seria o principal. Era mesmo muito bom!


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Data: 01/12/2017
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