00h00 - sexta, 05/01/2018

José Manuel Guerreiro:
Memórias de um ex-autarca

José Manuel Guerreiro: Memórias de um ex-autarca

Num dos últimos dias de 2017 José Manuel Guerreiro passou pela sede do Renascente de São Teotónio para um café matinal. E tal como em (muitas) outras ocasiões, grande parte dos presentes não hesitou em tratá-lo por "senhor presidente" na hora do cumprimento. "É uma coisa que acabou por ficar! Afinal foram 20 anos, sempre me trataram bem e aquela lidação que tínhamos como presidente continua, mesmo agora que saí", reconhece a sorrir.
O facto de ainda ser tratado por "senhor presidente" pelas gentes de São Teotónio não admira. É quase instintivo! Afinal de contas, José Manuel Guerreiro foi o presidente da Junta da maior freguesia de Portugal entre 1997 e 2017, sempre eleito pelo PS. "Foram 20 anos e cinco maiorias absolutas", observa com satisfação em declarações ao "SW".
A conversa decorre na grande sala que tem no Vale do Juncalinho, o monte onde José Manuel Guerreiro, hoje com 64 anos, reside e passa agora grande parte dos seus dias. O tempo ocupa-o a ler jornais e livros, a receber amigos ou a tratar do gado.
"Tenho agora esta entretenga dos animais: cerca de 30 ovelhas e uns 20 borreguinhos pequeninos", diz, admitindo que deixar a presidência da Junta de Freguesia acabou por não lhe custar. "Pensei que fosse pior".
Para trás ficaram duas décadas de muito trabalho e, sobretudo, bastantes conquistas. "Uma das maiores alegrias foi conseguir que a Junta de Freguesia tivesse as contas em dia, sem dever nada a ninguém", nota José Manuel Guerreiro, que ainda assim não colhe os louros todos para si. "Nada se faz sozinho e os membros dos vários executivos e os funcionários ajudaram-me muito. O meu trabalho foi facilitado por ter essa ajuda".
A par disto, houve outros momentos que marcaram pessoalmente José Manuel Guerreiro ao longo de cinco mandatos. Por exemplo, a recente compra de uma moto-niveladora ou a renovação da frota de ambulâncias.
"Quando recebi a Junta tínhamos duas ambulâncias – e velhas – para fazer serviços. Hoje, felizmente, temos quatro e novas, todas Mercedes, que vão para Lisboa ou Santiago [do Cacém] todos os dias. É o serviço que se presta às populações que mais gozo me deu concretizar", conta.
O lançamento do atendimento móvel, a construção do novo mercado ou lançamento do jornal da Junta deixaram igualmente marcas positivas no agora ex-autarca, assim como a criação de novas instalações para a Junta de Freguesia. "Não há câmara nenhuma no Baixo Alentejo que tenha instalações como a Junta de São Teotónio. Pode escrever que é verdade! Temos um pavilhão com 1.500 metros quadrados em que os carros ficam todos guardados e onde os trabalhadores, todas as manhãs, iniciam o dia", justifica.
Mas como em tudo na vida, José Manuel Guerreiro também teve de conviver com alguns dissabores enquanto eleito. E a maior mágoa de todas, assume, é não ter visto concluída a obra da nova variante de São Teotónio durante a sua presidência.
"Aquilo deu muito trabalho, fui eu que falei com as pessoas todas, fui eu que lhes fiz ver que aquilo era um benefício para eles… Fiquei magoado por não ter tido a inauguração daquela obra" durante o meu mandato, assume.
Avaliados todos os momentos por que passou à frente da Junta de São Teotónio, José Manuel Guerreiro não tem dúvidas em fazer um balanço positivo. Desde logo por sempre se ter sentido acarinhado. "Esse afecto deixa marcas", confidencia, acabando por revelar aquela que foi sempre a sua forma de estar enquanto autarca: olhar para São Teotónio como "um todo".
"Todas as pessoas das aldeias ou lugarejos foram tratados por mim com a mesma importância como se vivessem no centro de São Teotónio. Sempre tratei as pessoas com a mesma igualdade", conclui.


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Data: 22/06/2018
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