07h00 - segunda, 19/03/2018

"Caixa de S. Teotónio
teve resultado bastante
agradável em 2017"

"Caixa de S. Teotónio teve resultado bastante agradável em 2017"

A Caixa Agrícola de São Teotónio registou em 2017 um resultado líquido positivo acima de 1,7 milhões de euros. Números que o presidente da administração justifica, em entrevista ao "SW", com a confiança que os clientes depositam na instituição bancária sediada em São Teotónio. "Temos uma quota de mercado local de 50%, tanto em depósitos como em crédito. Isso é importantíssimo e demonstra que a instituição está bem enraizada e que as pessoas têm confiança em nós", sublinha António Louçã.

Em 2016 a Caixa Agrícola de São Teotónio (CAST) obteve um resultado líquido positivo na ordem dos 457 mil euros. Qual foi o resultado no exercício de 2017?
Mais de 1,7 milhões de euros…

Um aumento significativo.
Sabe que a partir de 2008, com a crise financeira que se instalou, têm-se vivido tempos difíceis, apesar da CAST ter atravessado toda a crise sempre com resultados positivos. Um bocadinho mais modestos que o costume, mas sempre positivos! Este ano as coisas correram melhor, porque foi possível suster um pouco o crédito vencido. Isso é sinal de que as dificuldades que as pessoas passaram têm vindo a ser atenuadas, o que é fundamental para a rentabilidade de qualquer instituição bancária. Depois, o nosso dinamismo a nível comercial também tem permitido crescer constantemente.

Qual a vossa quota de mercado actual?
Temos uma quota de mercado local de 50%, tanto em depósitos como em crédito. Isso é importantíssimo e demonstra que a instituição está bem enraizada e que as pessoas têm confiança em nós.

A par da diminuição do crédito vencido, a CAST cresceu nas outras áreas?
Sim! Crescemos mais de cinco milhões [de euros] no crédito e mais de sete milhões [de euros] em depósitos.

2017 foi o melhor ano de sempre para a CAST em termos de resultados?
Não, não… Já tivemos anos melhores! Antes da crise conseguimos resultados ligeiramente acima dos dois milhões. No entanto, o que acontece de novo é que, como consequência da crise, o aperto regulamentar foi bastante grande e hoje em dia aquilo que são as exigências de provisionamento dos activos das instituições bancárias são bastante pesadas e não permitem que os resultados sejam muito vultuosos. Há a acrescentar a isso há a questão das taxas de juro, que estão historicamente muito baixas e não permitem que haja margem financeira suficiente para ter grandes resultados. Mas temos que nos lembrar que abrangemos os concelhos de Odemira e de Aljezur, que juntos têm apenas 31 mil habitantes. Portanto, aquilo que conseguimos já é bastante satisfatório. Não há hipótese de crescer muito mais! Por isso digo que este resultado obtido em 2017 é bastante agradável.

A CAST também cresceu na área dos produtos não financeiros, nomeadamente nos seguros?
Também. Aliás, crescemos em todas as rubricas e nos seguros também.

Que peso tem o sector agrícola na actividade da CAST?
Naturalmente tem um peso enorme. Aqui não temos indústria, mas sim comércio e serviços ligados à agricultura. Portanto, há muita coisa ligada à agricultura.

Que metas tem a Caixa de São Teotónio definidas para 2018?
O nosso grande objectivo é continuar a registar resultados positivos, de forma a consolidar a nossa posição financeira e poder ter excedentes que permitam cumprir aquilo que é a missão essencial do Crédito Agrícola: o apoio ao desenvolvimento local e às nossas comunidades.

Em que medida?
A CAST é de 1911 e não esquecemos os valores com que fomos criados. Portanto, o que aqui fazemos é pegar nos recursos da comunidade, rentabilizá-los via crédito e devolver os lucros à comunidade. É uma força enorme que temos, porque todos os lucros que obtemos além de um determinado montante mínimo são para devolver à comunidade. Ainda neste ano de 2017, além dos apoios que concedemos a todo o tipo de associações, foi-nos possível atribuir uma ambulância a cada uma das associações de bombeiros do nosso território: Odemira, Vila Nova de Milfontes e Aljezur. Foram 150 mil euros que canalizámos para isso e fizemo-lo com toda a naturalidade, pois foi para isso que fomos criados.

Porquê esse apoio aos bombeiros?
Percebemos ao longo do ano que iríamos ter um resultado positivo com alguma expressão e começámos logo a distribuir [esses dividendos]. E como 2017 foi um ano muito marcado pela questão dos fogos e dos bombeiros, também nos juntámos a esse sentimento geral de agradecimento. E dentro das nossas possibilidades contribuímos para que eles possam ter os meios que precisam para estarem preparados.

Há novos projectos a implementar em 2018?
Vai ser um ano de transição na parte dos processos contabilísticos, que ainda estão a ser ensaiados e não sabemos que reflexo isso vai ter nos resultados. Estamos confiantes que será um resultado sempre bastante positivo, mas estamos a viver uma experiência nova à qual nos estamos a adaptar.

A actual rede de sete balcões é para manter?
A nossa ideia é manter esta rede.


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Data: 15/03/2019
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