07h00 - segunda, 11/06/2018

Jovens "cientistas"
de Odemira premiadas

Jovens "cientistas" de Odemira premiadas

Imagine-se uma pequena larva capaz de comer e digerir esferovite. E por que não utilizar este método natural para eliminar este tipo de resíduos derivados do plástico e de difícil biodegradação? Ora esta é precisamente a base do projecto que valeu a Patrícia Silva, Sophie Lenehan e Inês Ferreira, alunas do 12º ano na Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, em Odemira, a conquista de dois prémios no âmbito da 26ª edição do Concurso Jovens Cientistas, integrado na XII Mostra Nacional de Ciência.
O certame decorreu no início deste mês de Junho na cidade do Porto e as três alunas odemirenses regressaram a casa com duas distinções: o prémio LIPOR, no valor de 500 euros e que distingue projectos na área do Ambiente, e uma viagem aos EUA, para a Feira Mundial de Ciência, que vai decorrer em Maio de 2019 na cidade de Phoenix.
"Vamos sempre com a vontade de fazer o melhor possível. E depois, o que vier é muito bom… Foi o que aconteceu", reconhece com satisfação Paula Canha, professora de Biologia e Geologia, e coordenadora do projecto "Tenebrio Molitor como bio-reactor para degradação de polímeros sintéticos".
O projecto que valeu a distinção a Patrícia Silva, Sophie Lenehan e Inês Ferreira, entre mais de uma centena de propostas apresentadas por alunos de todo o país, exigiu criatividade, paciência e muito trabalho às jovens odemirenses, tanto nas aulas como no Clube de Ciências da escola. E o primeiro passo a dar foi, claro está, a pesquisa!
"As alunas descobriram uns artigos científicos publicados por japoneses que provavam que este animal era capaz de comer e digerir esferovite. O que em termos de eliminação de resíduos, por exemplo, numa central de tratamento de resíduos, era muito interessante", lembra Paula Canha.
A seguir, como manda o método científico, veio a experimentação. "Elas fizeram várias experiências para verificar até que ponto estes animais podiam ser usados a nível industrial numa central de tratamento destes resíduos", conta a docente, acrescentando que nessa altura as alunas tiveram o importante apoio de um professor universitário. "Ele reviu a experiência que planificaram e viu se era necessário corrigir alguma coisa, fazendo-as pensar melhor em alguns aspectos", justifica.
Depois, chegou finalmente a conclusão. "As alunas chegaram à conclusão de uma série de condições que seriam necessárias para estes animais serem eficientes a tratar o esferovite", explica Paula Canha.
Com tudo isto, estaremos perante uma solução para o (cada vez maior) problema do tratamento de resíduos? "Elas fizeram experiências a pequena escala, agora falta experimentar a escala maior. E se resultar em escala maior, é sem dúvida uma solução muito fácil e barata de eliminar este tipo de resíduos", admite Paula Canha, sublinhando que este tipo de projectos serve igualmente para mostrar aos alunos "que a ciência também dá resposta a problemas da sociedade e da economia".


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