00h00 - sexta, 22/06/2018

População de Colos contra fecho de balcão da CGD

População de Colos contra fecho de balcão da CGD

Abrigado do sol abrasador, Manuel Balbina faz contas aos quilómetros entre Colos e Odemira. São pouco mais de 30 e será esta a distância que este reformado terá de começar a percorrer para poder aceder às contas que tem na Caixa Geral de Depósitos (CGD). Tudo porque a agência do banco do Estado nesta vila do concelho de Odemira tem "os dias contados": a 2 de Julho fecha portas, deixando milhares de pessoas das freguesias de Colos, Relíquias, São Martinho das Amoreiras e Vale de Santiago mais distantes das suas poupanças.
"Tenho ali dinheiro a prazo e à ordem e para ir a Odemira ou Ourique não tenho transporte. Como é que vou lá? Isto é uma coisa muito mal feita", diz Manuel Balbina ao "SW", sentado a escassos metros da agência da CGD em Colos. A seu lado as opiniões (e críticas) são em tudo idênticas.
"Isto dá movimento à terra, pois as pessoas vêm à Caixa [Geral de Depósitos], depois ao mercado e às lojas. E o fecho da Caixa torna a vila mais morta. Além disso, pessoas mais idosas, sem meios de transporte próprios, vão ter de ir a caminho de Odemira ou de Ourique por causa da reforma, que são meia dúzia de tostões. Não se compreende isto", afirma Mário Castilho, de 73 anos. "Agora tenho que passar a ir a Ourique ou Odemira, que remédio! Se fosse aqui há uns anos não me fazia diferença nenhuma, mas agora é um transtorno", acrescenta Joaquim Pacheco, de 79 anos.
Pelas ruas de Colos não há quem veja com bons olhos a saída da CGD da vila. "É um bocado chato, principalmente para as pessoas idosas, que não têm meios para se deslocar. É uma decisão que não faz sentido nenhum! Mais logo não temos aqui nada", lamenta Guilhermino Fernandes, de 59 anos.
Um lamento que é partilhado pelo presidente da Junta de Freguesia, que não esconde a sua desolação. "Foi a maior 'bomba' que podia ter caído em cima de nós todos. Isto fica aqui uma desgraça", desabafa Manuel Penedo.
O autarca eleito pelo PS diz mesmo que a decisão da CGD é incompreensível e revela "um desprezo total pelas pessoas", dado que na sua agência em Colos tem "mais de 3.500 contas abertas". "Era mais que suficiente para manter aqui a Caixa. Mas querem é cumprir o programa deles e não se importam com as pessoas que estão no interior. Isto é, de facto, um grande rombo que a gente leva aqui", observa.
De acordo com a CGD, o anunciado encerramento de 70 balcões no próximo mês de Julho (entre os quais o de Colos) decorre do plano estratégico negociado com as autoridades europeias em 2016. Na altura, o Estado português e a Comissão Europeia acordaram o fecho de um total de 180 balcões do banco em Portugal até 2020 como contrapartida pela recapitalização da instituição bancária.


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Data: 20/07/2018
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