07h00 - sexta, 20/07/2018

Odemira quer "crescimento sustentável no tempo"

Odemira quer "crescimento sustentável no tempo"

O potencial económico e a diversidade cultural do maior concelho de Portugal mostram-se neste fim-de-semana, 20 a 22 de Julho, em São Teotónio, durante mais uma edição da FACECO. Oprtunidade para o presidente da Câmara de Odemira, José Alberto Guerreiro, falar ao "SW" sobre o presente e o futuro do município.

Já são 28 edições de FACECO. Que representa esta feira para o concelho de Odemira?
É um momento sempre importante e que acaba por ser, para além de uma montra daquilo que por aqui fazemos de melhor, um ponto de encontro entre os odemirenses. E talvez o aspecto mais relevante seja o de promover economicamente uma série de actividades que são importantes para Odemira e que, neste momento, conseguem fazer negócio. Porque a feira tem esta grande virtude, além de permitir que [os expositores] consigam ter uma melhor noção do que os mercados estão a pedir. Não posso esquecer que a feira tem três grandes argumentos em termos económicos. Por um lado o gado Limousine, que tem aqui o seu concurso nacional e que traz a Odemira os melhores exemplares que o país tem. Outro aspecto importante é a mostra de artesanato, uma referência na FACECO e sempre de grande nível, que dá um colorido e uma expressão muito importante à feira. E não posso deixar de referir o aspecto cultural, pois a feira é normalmente animada pela 'prata da casa'. Apostámos desde há uma década para cá numa animação que não aposta nos grandes grupos, mas sim naquilo que aqui se produz. E nós, culturalmente, temos um bom nível de produção!

Estes três dias de feira são também de negócio. E sente que a FACECO abre igualmente portas para novos negócios ao longo do ano?
Sim e é esse um dos seus aspectos importantes! Os nossos expositores – que são mais de 200 – são essencialmente concelhios e aquilo que nos transmitem é que, em muitos casos, não é tanto pelo negócio que fazem directamente na feira, mas por esses contactos que ficam para depois.

A FACECO é uma feira de cultura e de economia, que mostra o melhor de Odemira. Estamos a falar de um concelho amigo do desenvolvimento económico?
Penso que sim! Quem está nesta vida tenta sempre fazer aquilo que se traduza na criação de emprego e de bem-estar. Obviamente que para que isso aconteça tem de haver crescimento económico, mas ao mesmo tempo esse crescimento tem de ser ajustado às características do território e do tecido empresarial que temos, ou seja, procurar que ele seja sustentável no tempo. Não queremos um crescimento que seja apenas circunstancial, mas um crescimento que se traduza numa melhoria contínua e de forma qualificada da vida dos odemirenses.

A agricultura ainda é o sector com mais peso na economia local ou já foi ultrapassado pelo turismo?
Nos anos passados e mesmo nos anos futuros, devido às características territoriais de Odemira e à sua própria estrutura empresarial, tenderá sempre a ser o sector primário o mais forte. No seu conjunto, ou seja, com a pecuária, o agro-alimentar e as florestas, é o grande pilar de crescimento e desenvolvimento local. Mas a pesca também um sector muito importante. E o comércio tem também um peso importante. Nunca apostámos num único sector e não o queremos fazer. Essa nunca foi a estratégia de Odemira…

"Nunca pôr os ovos todos no mesmo cesto", como já disse várias vezes.
Exactamente! E a crise que vivemos mostrou bem que a aposta na diversidade económica é essencial. E num concelho com estas características é bem possível fazer uma aposta diferenciadora. Mas é difícil articular todos os sectores, designadamente na nossa faixa costeira, que é onde todos se querem fixar e há uma série de actividades – não só de âmbito agrícola, mas também no turismo – que muitas vezes têm uma convivência difícil. Mas continuamos a apostar nessa diversidade e nessa convivência. E julgo que até será possível tirar partido de algumas sinergias. Julgo que os nossos empresários estão a perceber essa perspectiva de desenvolvimento e vão, com toda a certeza, ajudar-nos nesse processo.

Tem havido evolução nessa questão da compatibilização entre agricultura e turismo?
Alguma, mas não tanto como desejávamos.

Porquê?
Porque, como disse, o crescimento económico que temos tem, em muitos casos, tido como pilar mais forte o sector agro-alimentar, que tem um desenvolvimento de regadio – sobretudo na faixa litoral – e que tem situações difíceis de gerir, designadamente em matéria ambiental e social. São muitos os impactos sociais que temos neste momento pela vinda de tantos trabalhadores estrangeiros para o concelho e não é fácil ter uma resposta imediata. A questão do alojamento é difícil, as questões do acesso aos serviços básicos como a Saúde e outros é também difícil, as nossas acessibilidades sofrem muito mais…

Perante este quadro, que tem feito a Câmara Municipal?
Temos insistido nestas matérias com o Governo da República, para que possamos vir a ter melhores acessibilidades, melhores serviços de apoio ao emprego e à saúde e outras… Não tem sido fácil! Mas estamos a trabalhar no sentido de vir a ter uma delegação do Centro de Emprego em Odemira, porque não é aceitável termos apenas este serviço apenas uma vez por semana. Por isso, posso dizer-lhe em primeira mão que muito brevemente iremos ter a possibilidade de ter um Serviço de Emprego em Odemira. Por outro lado, estou também em condições de anunciar que iremos ter um reforço de pessoal no Serviço de Finanças em Odemira, depois de várias reuniões que tenho tido e de tantas dificuldades por que tem passado este serviço. Porque estes serviços têm de responder [à população]! Se não responderem, fica tudo mais complicado. Por outro lado, também já manifestámos o nosso desagrado pelo encerramento da Caixa [Geral de Depósitos (CGD)] em Colos e, mais recentemente, com o anúncio de que é para encerrar o balcão do Millenium de Milfontes. São sinais que não são positivos, sinais até em contraciclo com o crescimento económico que temos vindo a ter. E não aceitamos que serviços públicos desta natureza, designadamente o da CGD em Colos, seja uma decisão unilateral! Já pedimos uma reunião urgente à administração da CGD, que continuamos a aguardar, houve manifestações da Câmara e da Assembleia [Municipal] contra este encerramento e também ao ministro das Finanças, porque o Estado não pode alhear-se daquilo que são as decisões do banco público.

Relativamente às acessibilidades, continua a afirmar que Odemira tem a pior rede de estradas nacionais do litoral de Portugal?
Não tenho muitas dúvidas disso! Conheço bem todo o litoral do país e há até zonas do litoral que são servidas por mais que uma auto-estrada, para além das redes complementares. Ora Odemira nem uma ligação directa a um itinerário complementar (IC) tem! Ainda há anos apresentou-se em Odemira o programa 'Aproximar Odemira', mas o certo é que [o concelho de] Odemira continua afastado porque esse programa nunca foi concretizado.

Além da requalificação da rede de estradas nacionais que passa no concelho – e são várias –, o que falta de novo em Odemira nesta matéria?
Seria essencial ligar, de uma vez por todas, Sines ao Algarve por Odemira [IC 4]. Obviamente que este investimento pode ser faseado, pois compreendemos que há zonas que têm alguma sensibilidade. E não faz sentido nenhuma que não tenhamos um acesso melhorado e mais rápido de Odemira ao IC1, que nos ligue a Beja. Continua a ser a nossa sede distrital e estamos a uma hora e 15 minutos – no mínimo! – de Beja, onde as nossas grávidas continuam a ser assistidas e onde há vários serviços que utilizamos. E estamos cada vez mais desesperados com o arranjo da EN 120, designadamente no troço entre Odemira e São Luís, que não tem a mínima qualidade para ser estrada nacional. E por outro lado, temos a EN 266, que liga São Martinho das Amoreiras ao limite sul do concelho com o Algarve. São eixos rodoviários que servem a nossa actividade económica e que têm muito tráfego…

E cujo mau estado influencia negativamente a economia local?
Com certeza que sim! Os tempos de trajecto acrescem, os danos sistemáticos nos veículos também. E a atractvidade da própria economia local obviamente que não é a mesma! Não tenho dúvidas nenhumas que Odemira podia ter outra afirmação económica se tivéssemos melhores acessibilidades, designadamente uma que é essencial, da sede de concelho ao IC mais próximo.

No caso da ligação Sines-Algarve por Odemira de que falou, que tipo de estrada exige? Um IC ou um IP?
O formato de IC serve-nos perfeitamente! E, em certos casos, até coincidir com a própria estrada nacional.

O ano de 2018 fica marcado pelo fim do Polis Litoral Sudoeste, que transformou por completo a zona costeira de Odemira…
Ainda há dias tive uma reunião com o ministro do Ambiente [João Matos Fernandes] e de facto há uma vontade férrea do Governo de terminar os programas Polis este ano. O argumento tem a ver com o facto de já terem sido prorrogados por dois anos e estarem na fase de liquidação e ter que se proceder ao seu encerramento, até porque há limitações financeiras para a sua implementação e nalguns casos já não haverá recursos para aplicar.

É o que sucede com o Polis Litoral Sudoeste?
No nosso caso ainda temos cerca de dois milhões de euros para poder aplicar e o ministro diz-nos para os aplicarmos rapidamente. Mas mantém-se a decisão de o encerrar até final do ano e algumas iniciativas que estejam em curso passarão, na fase própria, para os municípios. Para já é esta a decisão, mas não estamos ainda em condição de nos darmos por vencidos…

Defende a continuidade do Polis além de 2018?
Iremos reunir com o primeiro-ministro para apresentar os nossos argumentos, pois neste momento há pelo menos três Polis – incluindo este – que têm um conjunto de iniciativas que deveriam ser concretizadas e há recursos suficientes para o fazer sem acrescer mais verbas do Estado. Portanto, estou ainda em crer que iremos ter a possibilidade de concretizar [o Polis Litoral Sudoeste] praticamente na íntegra, tirando a questão das eco e ciclovias, que irão ter um desenvolvimento no próximo quadro comunitário.


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Data: 03/08/2018
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