07h00 - sexta, 14/12/2018

"Odemira tem hoje tecido económico mais rico"

"Odemira tem hoje tecido económico mais rico"

Em pouco mais de três anos o Odemira Empreende-Programa Municipal de Empreendedorismo e Emprego já apoiou 93 novos projectos empresariais no concelho de Odemira, com um total de quase 775 mil euros. Em entrevista ao "SW", o vice-presidente da Câmara Municipal, Ricardo Cardoso, faz um balanço bastante positivo do programa e assume que este "correspondeu àquilo que eram as expectativas iniciais".

Ao fim de três anos e meio de implementação, podemos afirmar que o "Odemira Empreende" é um caso de sucesso?
Penso que sim. É um programa que correspondeu àquilo que eram as expectativas iniciais, que era impulsionar o tecido empresarial existente, mas também ser capaz de trazer novas iniciativas para o concelho de Odemira. Acho que isso foi conseguido e a prova disso é o conjunto de projectos que já foram apoiados – quase uma centena –, que reflectem bem que este município é dinâmico e atractivo e que este programa ajudou a concretizar.

Era um programa que fazia falta?
Sem dúvida! Os municípios passaram a ter também responsabilidades nesta área do desenvolvimento económico e este programa foi um dos primeiros programas municipais a surgir. Estamos agradados com os resultados, que comprovam que, efectivamente, era um programa necessário e que funcionou, muitas vezes, como o "clique" necessário para a concretização de muitos projectos.

Já apoiaram 93 projectos com um total de quase 775 mil euros. Era o esperado ou as expectativas iniciais foram superadas?
Sinceramente não tínhamos um número que pretendêssemos atingir. Aquilo que tínhamos era a convicção forte de que havia a necessidade de ter um programa de apoio ao empreendedorismo e ficámos, de alguma maneira, surpreendidos com o facto deste programa ter sido executado em quase todas as freguesias do concelho. E também não há muitos projectos numa só área. Por isso, consideramos que foi, de facto, um programa para todo o concelho e que chegou a todos os sectores económicos. E o seu reflexo é termos agora um tecido económico mais rico.

112: é o número de novos postos de trabalho já criados através do "Odemira Empreende". Um número significativo...
É, de facto, o número que nos deixa mais agradados. Cento e doze novos postos de trabalho é algo de motivante e que nos faz querer continuar a trabalhar neste programa. E esse número foi atingido de uma maneira que considero ser a melhor: espalhado por um conjunto alargado de pequenos negócios. É preferível ter estes 112 postos de trabalho espalhados em 93 projectos empreendedores, do que tê-los todos alocados a um grande investimento. Aí a dependência é maior e a susceptibilidade aos altos e baixos da economia também seriam maiores.

O programa abrange várias valências através de três eixos. Isso também contribuiu para o seu sucesso?
Sim… Não quisemos construir um programa com apenas uma acção, mas sim com muitas acções, três eixos e várias medidas. E isso reflecte bem a nossa preocupação. Porque não acreditamos que as grandes coisas se fazem apenas com uma medida. É preciso encontrar um conjunto de medidas que respondam a todas as necessidades.

Qual foi o grande propósito inerente à implementação do "Odemira Empreende"?
Costumo dizer que as respostas têm sempre como intuito responder a alguns pontos fracos existentes. E aquilo que sentíamos é que apesar de há muitos anos existirem fundos de apoio comunitário no país, estes depois não chegavam a todo o tipo de empresas. As micro e pequenas empresas não têm, muitas vezes, a capacidade de ir atrás desses financiamentos, que têm um problema: um timing muito específico, que é o timing da administração e nunca o timing do empreendedor. Essas foram abordagens que tivemos e quisemos fazer diferente. Quisemos fazer um programa sério, com regras precisas e claras, com um acompanhamento importante por parte dos serviços municipais, mas que fosse menos burocrático e que, acima de tudo, respeitasse o timing dos empreendedores. Por isso é um programa sem avisos, que está permanentemente disponível e é o timing do empreendedor que prevalece. Destaco ainda outra preocupação: o facto de termos constatado que os núcleos urbanos estão neste momento com lojas disponíveis. Atravessámos uma crise e isso criou condições para que alguns desses espaços ficassem disponíveis e nós quisemos voltar a preencher essas lojas. Desse ponto de vista, também sentimos que demos um contributo importante.

Em Setembro de 2017 o "Odemira Empreende" foi premiado pelo IAPMEI. Que representou essa distinção nacional?
É sempre importante ser-se premiado e logo pelo IAPMEI. É o reconhecimento do trabalho que está a ser desenvolvido e do programa que temos. Aliás, juntaria aqui três distinções: participar na Feira do Empreendedor [que decorreu entre 5 e 7 de Dezembro no Porto], que é a mais importante nesta área do país, ser reconhecido pelo IAPMEI e ter o ministro da Economia a entregar os prémios "Espírito Empreendedor" [na FACECO de 2018]. São, de facto, marcos importantes para este programa e que atestam bem a dinâmica e capacidade que este tem.

Em Odemira a economia gira, em grande medida em redor de dois sectores: agricultura e turismo. É importante este papel do Município na promoção e incentivo da diversificação da base económica local?
Esses são, de facto, os sectores [económicos] mais expressivos. A agricultura, em termos de número de trabalhadores, é o sector mais importante e o turismo, em termos de atractividade do território, é o mais importante. Mas Odemira sempre viveu da diversidade, não só no contexto territorial mas também no tecido económico. Portanto, para nós todos os sectores são importantes. Queremos ter todos os sectores e todas as actividades, sempre numa óptica de sustentabilidade, não só ambiental mas também em termos de boas condições sociais. E, acima de tudo, que possam ser atractivas e potenciadoras de uma qualidade de vida importante.

"Empreender'" é um verbo que já se conjuga bem em Odemira?
Cada vez mais! E acho que o "Odemira Empreende" foi de facto muito importante para isso. Temos tentado tornar as ideias em algo mais presente, desde logo a partir dos nossos jovens, com alguns programas que temos a acontecer ao nível do ensino. Queremos potenciar a veia empreendedora em cada um dos nossos jovens, mas também dos menos jovens. Por isso estamos com várias candidaturas para incubadoras de empresas, duas delas já aprovadas: em Odemira e em Sabóia. Mas queremos muito em breve ter também uma candidatura aprovada para São Teotónio.

O programa é para continuar nos mesmos moldes ou haverá novidades no futuro?
Este programa é bastante competente, mas obviamente que pode sempre ser melhorado. Portanto, estamos atentos e é possível fazer alterações. Mas, acima de tudo, queremos consolidar algumas das medidas que temos neste programa. Sentimos que podemos fazer mais com a Bolsa de Emprego, sentimos que ao nível da incubação ainda podemos fazer melhor – e as tais infra-estruturas de incubação vão ajudar a isso… Portanto, queremos consolidar o programa e chegar a todos os odemirenses e a todos aqueles que queiram fazer a sua vida em Odemira.


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Data: 18/01/2019
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