07h00 - segunda, 15/07/2019

Um derrame hoje?
"Consequências seriam
maiores", diz ARH

Um derrame hoje? "Consequências seriam maiores", diz ARH

O director da Administração Regional Hidrográfica (ARH) do Alentejo, ligada à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), admite que um acidente como o ocorrido, em 1989, com o petroleiro "Marão" nos dias de hoje teria consequências económicas e ambientais bem maiores na zona do Alentejo Litoral.
"Com o incremento nos últimos anos das actividades ligadas ao lazer, turismo e pesca, as consequências económicas seriam muito maiores, mas no que se refere aos impactes ambientais seriam iguais ou mesmo superiores, considerando a área potencialmente afectada correspondente ao Parque Natural Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, que foi criado precisamente um anos antes do acidente do 'Marão'", reconhece André Matoso em declarações ao "SW".
De acordo com este responsável, "apesar da prevenção haverá sempre a probabilidade de ocorrência de acidentes, com reflexos indesejáveis de diverso tipo, nomeadamente a afectação da fauna e flora marinhas, a quebra da pesca/aquicultura e da actividade turística – imagine-se o efeito na actividade da Rota Vicentina! – ou restrições nas actividades costeiras de lazer".
Ainda assim, André Matoso garante que "existem actualmente mecanismos e procedimentos que permitirão dar resposta a uma eventualidade desta natureza", nomeadamente os que estão definidos no "Plano Mar Limpo", que corresponde ao Plano de Emergência para o Combate à Poluição das Águas Marinhas, Portos, Estuários e Trechos Navegáveis dos Rios, por Hidrocarbonetos e Outras Substâncias Perigosas.
O director da ARH do Alentejo acrescenta que a APA "é uma das entidades que possui responsabilidades" no âmbito deste plano de contingência nacional, "nomeadamente ao nível da actuação no terreno, quando os acidentes correspondem uma magnitude que implique um grau de prontidão do nível 2 ou 1, os mais elevados".
Num cenário desta natureza, continua André Matoso, caberia à APA, sob coordenação da Autoridade Marítima Nacional, desencadear os procedimentos "para que seja declarada a interdição do uso balnear nas áreas que sejam efectiva ou potencialmente afectadas pelo acidente", assim como identificar os efeitos, "em razão do acidente, sobre o ambiente, nomeadamente no meio hídrico e na atmosfera e o apoio às equipas que estejam a actuar no terreno".


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