10h35 - sexta, 26/02/2016

Opiniões


António Martins Quaresma
Estes dias de (alguma) chuva puseram os apresentadores da rádio e da televisão e muitos agentes turísticos a falar no "mau tempo", umas vezes por simples reflexo, pois, entre eles, há a convenção de que o tempo soalheiro é o "bom tempo" e o de chuva o "mau, outras vezes porque consideram a chuva contra os "seus interesses", ou, pelo menos, um incómodo que bem dispensam.
Em Milfontes, terra que me viu nascer e onde cada vez conheço menos gente, as opiniões queixosas são inúmeras. A chuva, mesmo no Inverno, desagrada a muitos, pois afasta possíveis turistas: "raio da chuva!". Mas há outro grande motivo de desagrado: as obras na vila. Uns não querem buracos; outros, lama; outros, pó; outros, condicionantes de trânsito. Todos, naturalmente, quererão milagres, pois só por intervenção divina se fazem obras sem buracos, sem pó, sem lama, sem trânsito condicionado. Muita paciência deve ter quem atura tantos opiniosos!
Dizia-me um amigo que a muita gente "falta mundo", isto é, conhecimento de outras realidades para melhor entender a sua. Quanto a mim, acho que lhe falta sobretudo "olhos" que consigam ver, pois há muitos provincianos viajados – por exemplo os tais jornalistas da televisão –, sem que as viagens lhes agucem a visão.
Na realidade, cada um olha a realidade com os "olhos que Deus lhe deu", quero dizer, com a sua capacidade de entendimento da realidade e a sua sensibilidade cultural e social, muitas vezes bebidas ainda no berço, outras no seu percurso de vida. Evidentemente, todos têm direito a ter as suas opiniões e, desde que não sejam antissociais, a vê-las respeitadas. Não é que valham todas o mesmo, caindo-se num relativismo que colocaria em igualdade uma ideia brilhante e uma tolice, mas ninguém deve ser impedido de expressar o que pensa. No plano geral e como posição de princípio, a diversidade de perspectivas, além de ser natural, é enriquecedora para o conjunto das ideias de uma sociedade.
A dimensão político-partidária continua "ao rubro" no País, com dois grandes blocos de ideias em confronto. O povo discute, à brava, anonimamente, on-line, onde o debate, frequentemente de baixo nível (pelo menos na minha opinião), descamba em geral para o insulto mais soez. O discurso grosseiro e maldoso é sempre desagradável. Isso não significa que o debate não possa ser vivo e que não se "chamem os bois pelos nomes". Mais uma vez, não é tudo igual.
No plano sócio-político – e aqui vai uma opinião pessoal – sou tanto pela defesa do Estado social e pela solidariedade social e inter-geracional, como detesto este liberalismo em moda, que, entre outras tropelias, pretende substituir um sistema nacional de saúde por uma "coisa" baseada em hospitais privados e misericórdias. Não é que todos não tenham o seu espaço; o problema é o desmantelamento dum sistema de base, moderno e eficaz, por uma insólita mescla de liberalismo económico e Ancien Régime social, que levaria, a maioria da população portuguesa, estou convicto, a uma assistência quase ao nível dos tempos do Estado Novo.
Contudo a bondade das ideias nem sempre consegue impor-se num mundo adverso. A "Internacional" liberal, que domina maioritariamente a Europa, joga a favor da iniquidade. Claro que esses europeus governos não se atrevem a destruir o Estado social nos seus países, mas, na boa visão liberal, não ficariam chocados se isso acontecesse em países como Portugal. Ainda agora vimos o ministro das finanças alemão a açular os "mercados" contra a política do governo português!
Voltemos ao Litoral Alentejano e a Milfontes, onde existe um clube de futebol, que mentes brilhantes decidiram, há anos, chamar "de Praia", e que segue em primeiro lugar na liga distrital. Se embirro com o nome, já me apraz o resultado da equipa em campo. Desculpem, foi inadvertência, não queria falar de futebol, assunto em que as minhas opiniões são pouco credíveis.
Do que tenho uma opinião muito precisa é das iniciativas de um empresário de Milfontes, no plano da canoagem no rio Mira. Este ano é o segundo, em que, aproveitando a presença de diversas selecções europeias a estagiar em Milfontes, ele co-organiza um evento de alto nível desportivo, decerto também com bons resultados na promoção turística. É assim que se faz, pela positiva, com iniciativas de qualidade.
E com esta opinião, me vou por agora.



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