11h28 - quinta, 05/05/2016

Para as pessoas na Grande Idade... hoje e amanhã!


Cláudia Silva
A reflexão acerca do envelhecimento na primeira pessoa é talvez o melhor de ponto de partida para repensar o futuro da sociedade e o papel que a pessoa na Grande Idade tem a desempenhar nela. Neste artigo gostaria de apresentar um novo olhar sobre a Grande Idade, pelo que recorri às palavras do professor Daniel Serrão para promover essa reflexão.
A justiça como equidade é um valor ético ao nível da liberdade e bem-estar. Todos somos iguais, todos somos seres humanos, no entanto a influência de diversos factores extra-genómicos, culturais e sociais conduzem a uma enorme diversidade humana que caracteriza a nossa sociedade.
Equidade significa criar normas de discriminação positiva, dando mais a quem mais precisa, por
serem mais vulneráveis. Deste modo, devem ser criadas medidas de promoção o bem-estar às pessoas na Grande Idade, criando uma discriminação positiva, sendo que não o fazer constitui uma iniquidade.
A nível social assistem-se a algumas iniquidades que urgem a mudança. Por exemplo, considerar que todas as pessoas com mais de 65 anos como idoso ou velho e que tem de ser tratado com posturas paternalistas e baseadas em compaixão. Esta é claramente uma discriminação, sim, mas negativa! Esta atitude tem inerente a negação ao direito do exercício de autonomia pessoal e ao consentimento informado.
As pessoas são todas iguais, dentro da sua diferença, sendo necessário garantir a equidade. Equidade na saúde, equidade social. Há pessoas que na Grande Idade são saudáveis, independentes e activas, que em muito podem contribuir para a sociedade com a sua experiência e sabedoria, não necessitando de medidas de discriminação positiva. Neste sentido, a reforma constitui uma oportunidade para iniciar novos projectos de vida, tão ou mais exigentes mentalmente do que foi a sua a sua actividade até ao momento. A idade é apenas um número que não tem qualquer significado pessoal ou social.
Há também pessoas que, pelos mais diversos factores, na Grande Idade apresentam alguns problemas de saúde, que apesar de não graves, tendem a conduzir a pessoa à inactividade. Os profissionais de saúde têm aqui um papel activo na promoção de saúde, evitando, nomeadamente, a medicação excessiva e promovendo os estilos de vida saudáveis. A própria pessoa tem de assumir uma nova forma de vida activa na qual se sinta bem, que pode passar por assumir o controlo da obesidade, da glicémia, e das queixas articulares como responsabilidade pessoal – um projecto de nova vida!
É certo que também existem pessoas na Grande Idade, que são forçadamente inactivos devido a problemas de saúde de maior gravidade. Deve haver discriminação positiva para que tenham acesso aos mesmos cuidados de atenção personalizada, seja na saúde, na acessibilidade ou na sociedade em geral.
Portanto, a luta pela equidade é da responsabilidade das pessoas na Grande Idade que são independentes e activos. Pela sua
criatividade devem demonstrar o absurdo ético do idadismo. As pessoas na Grande Idade devem lutar pela sua identidade social e reclamar o reconhecimento pelos outros estratos etários. À medida que a idade avança, a pessoa deve ser capaz de aceitar de forma inteligente e tranquila as limitações sensoriais e físicas decorrentes do avançar da idade temporal, evitando a medicação excessiva "dirigida para uma imortalidade corporal inacessível aos seres humanos".
As pessoas na Grande Idade têm um papel para desempenhar na sociedade do futuro que se constrói, sendo que a inteligência, experiência e sabedoria destas, aliada à inteligência dos jovens desenvolverão novas estratégias de sobrevivência!



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Data: 19/01/2018
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