12h54 - quinta, 13/10/2016

Saúde: uma despesa ou um investimento?


Cláudia Silva
Em Outubro de 2014 a AAGI Alentejo publicava um dos primeiros artigos no "Jornal Sudoeste", onde abordava o tema da felicidade com base nas conclusões de um relatório da OCDE. Este estudo concluía que as pessoas nos países nórdicos eram mais felizes, apresentando o valor de 7,7 numa escala de satisfação de 0-10, contrastando com o valor de 5,2 atribuído aos portugueses. 87% dos noruegueses referiam vivenciar mais sentimentos positivos do que negativos durante o dia, ao passo que apenas 67% dos portugueses deram a mesma resposta (média da OCDE: 76%). Neste artigo, falou-se que tal poderia relacionado com o facto da esperança média de vida e os anos de vida com saúde ser superior nos países nórdicos.
Ainda na mesma altura, o relatório "Um futuro para a Saúde", patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian, referia: "É adiando o surgimento das doenças que se pode reduzir as despesas no sector e mudar o panorama da Saúde em Portugal nos próximos 25 anos. [?] Em vez de canalizar o financiamento em Saúde quase todo para o Sistema Nacional de Saúde (hospitais, centros de saúde, medicamentos), é preciso agir sobretudo fora dele, passando-se de um paradigma 'da doença para um centrado na saúde'".
Tal só pode ser alcançado através do investimento na prevenção das doenças relacionadas com os hábitos alimentares e estilos de vida (como por exemplo, as doenças cardiovasculares), o que implica não só um maior envolvimento e responsabilização da própria pessoa pela sua saúde, mas também uma mudança na visão de quem gere!
Mas volto a abordar este tema passado mais de um ano de publicação, não só porque continua a ser um tema perfeitamente actual, mas porque que recentemente tive a oportunidade de contactar com a organização interna de um sistema de saúde nórdico e constatei na prática como as pessoas o vivenciam.
Numa viagem a Gotemburgo (Suécia) constatei que existe um investimento do governo central na promoção de estilos de vida saudáveis, com grande enfoque na realização de actividade física. Esta é fomentada através da construção de espaços ao ar livre que convidam à utilização de bicicleta em detrimento do carro (vias próprias e vários espaços verdes), bem como através da existência de bicicletas públicas pela cidade, que qualquer pessoa pode utilizar através de um cartão de transportes públicos, sendo gratuito nos primeiros 30 minutos.
Para além disso, ainda são atribuídos subsídios junto ao vencimento mensal para frequentar ginásios ou realizar outra actividade física. É comum ver pessoas de todas as idades a correr e nem o frio ou a neve os demove.
Tendo em conta o referido, consegui compreender melhor porque as pessoas se sentem mais satisfeitas e experienciam mais sentimentos positivos nos países nórdicos.
Esta é uma medida com impacto na Grande Idade, pois criam-se condições para promover a autonomia e evitar a dependência, havendo claramente um investimento na prevenção e a procura de ganhos em saúde. O investimento a longo prazo na Saúde traduz-se na diminuição da utilização dos serviços de saúde e, consequente, na redução de custos.



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Data: 21/04/2017
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