18h19 - quinta, 24/11/2016

A dor crónica


Cláudia Silva
De acordo com a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a uma lesão tecidual (real ou potencial). Atendendo à subjectividade da dor, em linguagem comum, a dor não é mais do que aquilo que a pessoa diz que é! Assim, uma correcta avaliação da dor deverá ser multidimensional tendo em conta não só os factores biológicos, mas também psicológicos e sociais. A dor diz-se crónica quando é persistente ou recorrente durante pelo menos 3-6 meses, podendo persistir para além da cura da lesão que lhe deu origem, ou mesmo existir sem lesão aparente.
Actualmente a dor crónica afecta cerca de 36% da população adulta em Portugal, sendo a sua prevalência significativamente maior nas mulheres e que aumenta com a idade em ambos os sexos.
A dor crónica tem consequências importantes no bem-estar e saúde da pessoa, bem como a capacidade de trabalhar e realizar as atividades do quotidiano, sendo por vezes incompreendida por quem não a vivencia. As principais causas de dor crónica referidas são: as patologias osteoarticulares, em particular as lombalgias que atingem mais de 40% dos indivíduos, a osteoporose, os traumatismos, a artrite reumatóide e as cefaleias.
A cronicidade não significa que a pessoa tenha de "suportar a dor" para o resto da sua vida! Existem unidades de tratamento especializadas no tratamento da dor crónica, pelo que uma das principais medidas para que este tratamento seja acessível a toda a população passa pela divulgação e, consequente, empoderamento da população.
Em particular, a dor no idoso surge geralmente associada a outras patologias, chegando mesmo a ser incapacitante, o que contribui para a diminuição da sua autonomia. Nesta faixa etária, a dor crónica tem grande impacto, provocando ansiedade, insónia, depressão, perda de apetite, emagrecimento, alterações da memória e do raciocínio, limitação nas actividades da vida diária e maior procura dos cuidados de saúde.
Para além da própria pessoa, frequentemente, a dor crónica afecta também de forma muito significativa o bem-estar e as actividades dos familiares e outros cuidadores, facto este que não pode ser ignorado.
O Programa Nacional de Controlo da Dor da Direcção-Geral de Saúde tem como objectivo a redução da prevalência da dor na população portuguesa, melhorar a qualidade de vida das pessoas com dor e racionalizar custos/recursos associados.
Este é um objectivo que só pode ser alcançado com o esforço conjunto de todas as partes envolvidas, incluindo a população. Se acha que pode ter dor crónica, procure ajuda junto dos cuidados de saúde primários.



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Data: 17/11/2017
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