11h24 - quinta, 10/08/2017

A seca veio para ficar...


Carlos Pinto
Os números não enganam… e assustam: de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente desde 1990 que as barragens nacionais não estavam tão vazias; e segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera cerca de 79% do território nacional encontrava-se, no final do mês de Julho, em situação de seca severa e extrema. Em suma, o caso é grave! Tanto mais que um estudo recente da Universidade de Aveiro indica que as ondas de calor na Península Ibérica vão ser cada vez mais frequentes, podendo durar 20, 40 ou 60 dias consecutivos. Ou seja, se a seca hoje já é um problema, pior será dentro uma ou duas décadas.
As consequências desta situação são por demais notórias, sobretudo no Alentejo, tanto na agricultura como no abastecimento público de água, tal como lhe contamos nesta edição do "Jornal Sudoeste" [ver página ao lado]. E é precisamente por tudo isto que o momento não é de fazer de avestruz e "enterrar a cabeça na areia", mas sim de agir. De tomar medidas. E de antecipar soluções para os problemas que sabemos que vamos ter num futuro próximo.
O que fazer então? Parece por demais evidente que a solução está nas duas maiores "mães-de-água" que existem no Alentejo: Alqueva e Santa Clara. Por um lado, é preciso que, de uma vez por todas, seja decidido por quem de direito que a "rede capilar" do Alqueva deve ser alargada até à albufeira do Monte da Rocha, por um lado, e ao Alentejo Litoral, por outro lado, tirando partido dos incentivos europeus do chamado Plano Juncker para o aumento da área de regadio em Portugal. E por outro lado é indispensável que a barragem de Santa Clara comece a abastecer muitos dos sistemas de água nos territórios que lhe são mais próximos, alguns dos quais ainda servidos por captações subterrâneas.
É óbvio que estas duas obras não irão terminar com a seca. Mas seguramente que ajudarão a minimizar um problema que é grave e está longe de ser passageiro.



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