11h05 - quinta, 02/11/2017

O tempo mudou. O que fazemos?


Carlos Pinto
Os últimos meses têm sido mesmo muito complicados para as regiões mais interiores de Portugal. Desde logo porque grande parte delas foi fustigada sem misericórdia por um mar de chamas sem paralelo na história mais recente que levou (quase) tudo à sua frente. E agora é a chuva que não chega, confirmando um quadro de seca generalizada que tem quase três anos e que se tem agudizado de norte a sul neste Outono, que mais parece… o Verão! O Alentejo Litoral não é excepção e a situação merece toda a atenção.
É certo que têm sido várias as medidas lançadas, sobretudo pelo Governo, para fazer face a estes dois flagelos. No que toca aos incêndios com acções para reforçar a prevenção e os meios de combate, no sentido de evitar que tamanho drama humano e ambiental se repita no futuro. E no que diz respeito à seca, há muito que se trabalha para impedir que a água falte nas nossas torneiras em actos tão essenciais como a confecção de refeições ou o banho e para que esta se possa continuar a utilizar na agricultura.
Mas tudo isto acaba por ser uma reacção àquilo que é hoje uma realidade incontornável: as alterações climáticas produzidas pela acção do Homem na Natureza. E este deve ser, cada vez mais, um problema percepcionado por todos (mesmo por aqueles que preferem negar o óbvio) e um desafio assumido sem rodeios ou constrangimentos ideológicos.
A preservação do meio-ambiente, a adopção de políticas de sustentabilidade e a promoção/ utilização das energias renováveis devem, impreterivelmente, estar na linha da frente das prioridades de todos os decisores. É por isso que todo o esforço que autarquias e outras entidades públicas e privadas têm feito nesta área nunca poderá ser encarado como dispensável ou acessório. Num tempo de mudança de paradigma do que é a vida em comunidade, devemos também ter uma nova atitude perante o que nos rodeia. As alterações climáticas existem e é preciso dar-lhes uma resposta concreta. Sob pena de ficarmos para sempre condicionados aos "caprichos" de São Pedro, passando de anos de seca para épocas de chuvas diluvianas ou alternando entre longas semanas de brasa e largos meses de tempo glaciar.



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