16h32 - quinta, 16/11/2017

A tradição é um activo


Carlos Pinto
n A pequena aldeia de Amoreiras-Gare, no concelho de Odemira, vai receber neste sábado, 18 de Novembro, os principais "agentes" do toque e construção de viola campaniça e do cante de improviso, seja ele a despique ou baldão. O colóquio, que se realiza pela segunda vez e que desta vez é organizado pelo novo Centro de Valorização da Viola Campaniça e Canto a Despique [ver notícia na página 08 desta edição do "SW"], vai permitir que músicos e artesãos, cantadores e poetas, investigadores e dinamizadores culturais se sentem à mesma mesa e daí nasça o debate sobre os caminhos que estas formas de arte devem trilhar no futuro.
Não se pense que este dia de colóquio se destina apenas a uma pequena franja de interessados ou a curiosos na matéria, sem que se exija que daí advenha o que quer que seja de palpável e concreto. Pelo contrário, este debate pode (e deve) ser altamente frutuoso no sentido de se poderem definir metas objectivas sobre a preservação e dinamização destas tradições centenárias e tão próprias dos territórios interiores do concelho de Odemira.
É nesta zona, sobretudo na área que abrange as freguesias de São Martinho das Amoreiras, Santa Clara-a-Velha e Relíquias, que se encontram as raízes da viola campaniça e do cante de improviso. Duas formas de tradição esculpidas ao longo de gerações em tabernas, nas principais feiras ou durante os trabalhos agrícolas. Tradições cantadas e tocadas que guardam em si a memória do ser e do estar destas gentes. Tradições que preservam a identidade própria de cada uma das comunidades que lhes serviram de berço.
Por tudo isto, a viola campaniça e o cante de improviso são dois dos maiores activos que este território tem. Um activo no plano do património e da salvaguarda da memória colectiva. Mas também um activo que pode ter um enorme valor económico, sobretudo se conjugado com o turismo, sector onde este tipo de nicho de oferta tem cada vez mais procura (e quem o procura sabe bem ao que vai e está disposto a pagar o que é devido para dele usufruir).
O turismo associado ao cante alentejano ou ao fado, duas formas expressão cultural já classificadas como Património Imaterial da Humanidade pela Unesco, são dois casos paradigmáticos desta nova realidade: a tradição como um valor, tanto cultural como económico. E no interior do concelho de Odemira há toda uma riqueza para capitalizar.



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Data: 16/02/2018
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