12h02 - quinta, 30/11/2017

Saúde em Portugal: onde estamos e para onde vamos?


Cláudia Silva
Estando mais um ano a chegar ao fim, este momento muitas vezes culmina com um momento de balanços. O que correu bem e menos bem? O que almejamos para o próximo ano? Da minha perspetiva a saúde surge sempre como um desejo do topo da lista. Convido-vos a fazer uma breve reflexão sobre alguns indicadores.
É sabido que o aumento da esperança média de vida é uma realidade (e uma conquista, claro), e tal tem vindo a exigir uma contínua adaptação da sociedade, principalmente do ponto de vista social e da saúde. Neste momento a esperança média de vida nos 25 países da OCDE é de 80,6 anos e em Portugal de 81,2 anos.
Numa primeira análise poderia ser visto como um aspeto positivo, contudo algumas dúvidas surgem quando comparamos o indicador da perceção de estado de saúde nos países da OCDE com Portugal. Cerca de 68% da população da OCDE perceciona-se como de boa ou muito boa saúde, 9% como mau, e em Portugal apenas 46% se perceciona como bom ou muito bom o seu estado de saúde, e 18% como mau.
É verdade que as pessoas vivem mais, mas a par desta evolução também se verificou um aumento das doenças crónicas, como por exemplo a Diabetes Mellitus. Em 2015, foi diagnosticado a 7% da população da OCDE (93 milhões) Diabetes Mellitus tipo 2, com idades compreendidas entre os 20 e 79 anos, comparando com os 10% de Portugal. Podemos ainda estabelecer outra comparação contrastante com a França. Grécia, Itália, Bélgica, Reino Unido, Suécia e Luxemburgo em que a percentagem da população a quem foi diagnosticado esta patologia ronda os 5%.
O consumo de tabaco, álcool e o excesso de peso assumem-se também como fatores de risco das principais causas de morte na Europa: isquemia do miocárdio e o acidente vascular cerebral. Ainda numa perspetiva de análise comparativa, Portugal apresenta taxas de obesidade (16%) e consumo de tabaco (11%) aos 15 anos muito próximas da média da OCDE, contudo, ainda distante dos valores encontrados, respetivamente, em países como a Dinamarca (9,5% e 7,5% e) ou Noruega (12,5% e 4%).
No que se refere à prática de atividade física diária, enquanto elemento essencial na prevenção do excesso de peso, nos países da OCDE 23, 66,5% da população pratica uma atividade física regular semanal, em Portugal esse valor corresponde a 57,1%, na Suécia 79,5% e na Dinamarca 77,6%.
Outro indicador importante nesta área refere-se ao número de médicos e enfermeiros. Na OCDE 23 existem três enfermeiros por cada médico, sendo que os ratios mais elevados são encontrados em países como a Japão, Finlândia e Dinamarca, com cinco enfermeiros por cada médico. Portugal situa-se numa posição muito inferior da tabela, com 1,4 enfermeiros por cada médico. O número destes profissionais, representando uma profissão com competências no cuidar da pessoa em todo o seu ciclo de vida, na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, constitui um elemento fortemente monitorizado devido ao seu impacto positivo na saúde das populações. Na OCDE 35 existem nove enfermeiros por cada 1.000 habitantes, em Portugal existem seis, em contraste com os 18 da Suíça ou 17 na Dinamarca e Finlândia. São números muito díspares que revelam claramente o investimento na saúde de cada país.
Em Portugal os gastos com a saúde representam 2.308 euros per capita, em comparação com os 3.380 euros da OCDE, 5.613 euros da Noruega ou 6.687 euros da Suíça.
Estes são apenas alguns dos indicadores do estado da saúde de um país e nos transmitem a importância de uma alteração de paradigma que perspetive um planeamento em saúde centrado na prevenção, na promoção da saúde, em detrimento da área curativa, do tratamento. Penso que esta alteração de paradigma e valorização das crescentes necessidades de qualidade da população, é certamente da responsabilidade dos decisores políticos e ordens profissionais, mas também da própria pessoa.
A consciência de que a saúde é um direito universal, independentemente da sua condição financeira ou localização geográfica, mas também de que o próprio é responsável pela sua saúde e que deverá ter um papel ativo na persecução desse objetivo.

Escrito com o novo
Acordo Ortográfico



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