12h52 - quarta, 28/03/2018

Um desafio de todo o Baixo Alentejo


Hélder Guerreiro
Poderia começar este texto, como poderia ter começado o primeiro neste espaço, por: "Porra que já o construíram! E agora?".
Agora, como a realidade que se nos oferece é com um espaço rural/agrícola a ser ocupado por pomares super-intensivos, a perder de vista: sejam de olival; sejam de vinha; sejam de amendoeiras; e sejam de novas culturas como a framboesa e o mirtilo.
O fator comum são as monoculturas de extensões consideráveis que, tendo outras ao lado, criam uma nova paisagem no Baixo Alentejo. Uma paisagem "industrial agrícola" como nunca tínhamos visto.
Esta nova paisagem, fruto destas novas culturas, foi responsável pelo aumento do preço da terra (valorização), pela vinda de uma quantidade incrível de mão-de-obra temporária, de quase todos os pontos do mundo, pela perda de biodiversidade em muitas áreas e pela intensificação de uma indústria agro-alimentar que produz novos desperdícios e nova poluição.
E estes são os novos desafios do Baixo Alentejo: gerir a água, a terra e as pessoas. Parecem velhos desafios, mas têm mesmo cara nova e questões novas com que nos preocuparmos.
A título de exemplo gostaria de assinalar três questões complexas: o resultado da operação de tratamento do bagaço da azeitona que é já considerado como poluição atmosférica numa vasta área do Baixo Alentejo; a falta de soluções para a habitação temporária da mão-de-obra necessária para todos os perímetros de rega e para todas as culturas atuais e futuras; e a tremenda perda de áreas ou de corredores ecológicos que funcionem como "reservas" de biodiversidade em todo o Baixo Alentejo.
Neste texto gostaria de olhar para os desafios positivos deste tempo novo no Baixo Alentejo. Reparem que esta questão é transversal a todo o território pois vai de Alcácer do Sal a Moura (não referi Odemira por questões óbvias).
O Baixo Alentejo vive os anos da água (depois destes últimos dias é fácil perceber isso, mas quando temos seca também foi possível perceber que não tivemos os problemas de outros tempos).
É, pois, o tempo de sermos o melhor território do mundo para a investigação e utilização da água. Parece utopia ou excesso de linguagem, mas não é, acreditem. Nós temos as culturas (muitas mesmo) geneticamente mais estudadas e puxadas produtivamente (para não dizer economicamente) do mundo, temos empresários agrícolas informados e com formação adequada, temos vocação exportadora em todas essas culturas, temos o recurso água, temos a tecnologia de rega instalada, temos ensino superior, temos centros de investigação e temos conhecimento (pessoas).
Falta-nos fortalecer, de forma organizada e consequente, uma formação mais ligada à academia, aos centros de investigação e às empresas. Falta construir uma marca forte de que no Baixo Alentejo formamos os melhores técnicos do mundo no uso sustentável da água.
Assim, se fizermos este caminho que obriga a juntar as pessoas, podemos valorizar muito mais o investimento já feito, assim seremos muito mais competitivos e assim, seremos capazes de atrair jovens qualificados para o território.
Já agora, isto, meus caros, não se faz sem cidades atractivas, ligadas entre elas e com ofertas qualificadas na habitação, na cultura e na qualidade de vida. Voltarei a este assunto um dia.

Texto publicado em
alentejodebaixo.blogspot.com



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Data: 30/11/2018
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