17h23 - quinta, 26/04/2018

Sensibilidade e bom senso


Carlos Pinto
Nas suas duas últimas edições (a 14 e 21 de Abril) o semanário "Expresso" dedicou grande atenção ao projecto do consórcio que junta a portuguesa GALP à italiana Eni na prospecção de petróleo ao largo da costa alentejana, na zona entre Aljezur e Sines. Primeiro, no caderno "Economia" de 14 de Abril, o semanário dava conta que nas previsões das duas empresas está a possibilidade de existir nesta zona petróleo suficiente para 1.000 a 1.500 milhões de barris, o que equivaleria a uma receita na ordem dos 57 mil milhões de euros para os produtores e a uma verba a rondar os quatro mil milhões de euros em royalties para o Estado (além da tributação de eventuais lucros declarados pelas empresas em Portugal).
Uma semana depois, a 22 de Abril, o "Expresso" voltou ao assunto, desta feita colocando em "duelo" as opiniões de Júlia Seixas (professora universitária e investigadora na área da Energia e Alterações Climáticas), que se opõe ao projecto da Eni/ GALP, e de Nuno Ribeiro da Silva (professor catedrático e antigo secretário de Estado da Energia nos governos de Cavaco Silva), que apoia a prospecção. E diz este último que explorar petróleo ao largo da costa alentejana tem "todo o interesse para o país", uma vez que volatilidade do preço deste produto nos mercados internacionais é "o calcanhar de Aquiles da nossa economia e um desequilibrador da balança comercial" de Portugal.
Perante estes argumentos, os mais incautos serão tentados a admitir que este projecto é um mal que acaba por vir por bem. Mas não, bem pelo contrário! Por mais que se argumente e que se apresentem muitos números redondos e cheios de milhões para "lisboeta ver", esta nunca será uma boa saída para a mais bela costa do mundo. Porque os riscos da prospecção são mais que muitos e a eventual exploração destruirá irreversivelmente a beleza natural deste território, sem que daí advenham quaisquer ganhos para o país. E depois, basta pensar que a Eni é italiana e tem 70% do consórcio…
Ou seja, e ao contrário do que no "Expresso" quiseram veicular, petróleo no Alentejo Litoral nunca será um bom negócio. Por isso se exige, mais uma vez, sensibilidade e bom senso às entidades competentes, para que possam colocar termo a esta "aventura" que poderá causar danos irreparáveis.



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