17h24 - quinta, 26/04/2018

Insuficiência cardíaca


Cláudia Silva
Aproxima-se o mês de Maio, conhecido como "Mês do Coração", e por isso queria falar-vos da insuficiência cardíaca (IC), pois decorrente do envelhecimento da população a prevalência desta condição continua a aumentar.
A IC define-se como uma anomalia funcional ou estrutural que resulta na incapacidade do coração fornecer oxigénio de forma a corresponder às exigências das necessidades do organismo. De forma mais simplista, pode-se dizer que o coração fica mais fraco, tem menos força para fazer o sangue circular e irrigar os diferentes órgãos e sistemas. Como forma de compensar, nuns casos, o coração dilata-se e, noutros casos, as paredes do ventrículo esquerdo tornam-se progressivamente mais espessas (para ganhar força para impulsionar mais sangue).
Estas adaptações compensatórias ajudam durante algum tempo, mas progressivamente o coração vai-se degradando e perdendo a força. Os rins actuam como mecanismo de compensação da IC, pois retêm líquidos, sob a forma de água e sal, para aumentar o volume de sangue e estimular o coração. Com o tempo estes líquidos vão-se acumulando nos tornozelos, nas pernas, no fígado, nos pulmões e, por fim, em todo o corpo, causando inchaço, falta de ar, cansaço e aumento de peso. Todo este processo é progressivo, e ocorre ao longo de anos.
O problema é que a IC está associada e um conjunto de factores de risco que podem conduzir a esta condição, mas que são "silenciosos", como sejam a própria doença coronária, hipertensão arterial, hipercolesterolemia, diabetes, tabagismo e obesidade. Assim, o estabelecimento de um diagnóstico de IC parece não causar muita preocupação na população em geral, mas a verdade é que esta doença é responsável por duas a três vezes mais mortes do que o cancro da mama e o cancro do cólon!
Um estudo muito recente (Janeiro 2018) diz-nos que a IC é já considerada uma ameaça à saúde pública, pois apresenta uma elevada taxa de mortalidade num número bastante significativo de pessoas. Baseadas nas alterações demográficas perspectivadas, associadas ao envelhecimento populacional, prevê-se que este número esteja em ascensão: comparando com os dados de 2011, prevê-se um aumento de 30% em 2035 e de 33% em 2060, com um número de 479.921 e 494.191 pessoas afectadas em 2035 e 2060, respectivamente.
A concretizar-se, tal traduzir-se-á num elevado impacto na saúde dos portugueses e um profundo impacto também na economia nacional. Apesar dos progressos dos últimos anos (tratamento farmacológico e o desenvolvimento de novos dispositivos médicos) parecerem constituir medidas que podem contrariar esta tendência, tal será uma "luta" infrutífera se não conseguirmos controlar os factores de risco eficazmente! Nesta esfera é essencial o envolvimento da população neste objectivo. Embora os conselhos para a prevenção das doenças cardiovasculares já sejam sobejamente conhecidos, nunca será demais relembrar.
A Fundação Portuguesa de Cardiologia aconselha um regime alimentar variado, característico da Dieta Mediterrânica, optando pela redução de sal, e limitar o consumo de comidas gordas, bem como evitar o consumo excessivo de álcool e cafeína. A dieta deve conter fruta, vegetais, peixe e produtos com baixa quantidade de gordura. O exercício físico é naturalmente aconselhado e deverá ser regular, como por exemplo andar ou nadar. Deverá apenas suspender o exercício se tiver tonturas ou falta de ar, dor no peito, náuseas ou sudorese abundante, e pedir o conselho médico ou de enfermagem.



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