10h55 - sexta, 21/02/2014

A cereja e o bolo


Hélder Guerreiro
? Certamente todas/os sabem que desde sempre defendi o "Baixo Alentejo" (composto pelo conjunto dos seus 18 municípios) como região e que nunca entendi como correcta a adopção de modelos artificiais de regiões (NUT) determinados por uma definição de territórios que objectivamente visam apenas a obtenção de certos dados estatísticos.
Pelo que considero estranho (embora talvez não devesse) que as comunidades intermunicipais tenham acabado por constituir-se a partir dessas unidades estatísticas (NUT). Pese embora a minha estranheza, a verdade é que hoje o próprio Estado tem, paulatinamente, vindo a organizar-se a partir destas estruturas numa espécie de "regionalização" não assumida, não discutida e não referendada.
Esta evidência expõe a minha clara derrota na defesa de um "Baixo Alentejo" com 18 municípios e determina um "Baixo Alentejo" sem Odemira e sem os restantes concelhos do "Alentejo Litoral". E, perdida que está a batalha e assumida a derrota, não julgo avisado empenhar a minha energia numa causa perdida mas antes na construção de um forte, coeso e competitivo "Alentejo Litoral". Na construção da identidade da região. Na construção de uma região.
Ontem, como hoje e amanhã o "Alentejo Litoral" emergiu, emerge e emergirá enquanto espaço sub-regional e ganha(rá) velocidade na possibilidade de concertação municipal em todas as vertentes. A recente concretização, de forma participada, do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Alentejo Litoral (PEDAL) é o exemplo acabado disso mesmo.
Este processo, além de se constituir como uma perspectiva estratégica para o desenvolvimento do(s) território(s), pretende funcionar como "vector-chave" e base da abordagem do "Alentejo Litoral" ao próximo quadro de financiamento comunitário e resulta de um novo nível de envolvimento, de parceria e de uma nova coesão num claro caminho de definição e construção de uma identidade para o "Alentejo Litoral".
Nas questões da saúde e no emprego, áreas nucleares à nossa região e ao Portugal contemporâneo, foram dados passos determinados no sentido da sua adaptação à nova realidade e à nova região. Urge cumprir esse mesmo desígnio noutras áreas, como a Segurança Social, a Educação (onde no passado houve algum trabalho nesse sentido), a Segurança e a Justiça (área na qual o anterior processo não demonstrou ser bem sucedido).
Este novo sentir, que vem sendo construído desde há cerca de oito anos, vai encontrar, nos próximos quatro anos, o espaço e o tempo para se consolidar. Para tal importa que sejamos capazes de comunicar "a região" e os seus aspectos identitários e, a par disso, iniciar um conjunto de processos/ projectos absolutamente determinantes para o futuro da região, nomeadamente a valorização regional do desenvolvimento associado a Sines; a montagem de uma rede de transportes colectivos que promova a mobilidade de toda a população e o seu acesso aos serviços; e a concertação regional sobre questões estruturais e agregadoras como a Educação e a Formação da população da região.
Paralelamente ao papel das estruturas do Estado central e das suas estruturas locais/regionais (municípios e CIMAL), são fundamentais as transformações que advenham da própria sociedade civil e que apontem a esta visão do território e à construção da sua identidade. Pergunto-me se no caso, por exemplo, da organização desportiva regional (fará sentido Odemira continuar numa Associação de Futebol de Beja?) e cultural não deveria avançar-se também para o cumprimento desta nova realidade regional.
Noutro âmbito, penso que a comunicação social será sempre determinante para a dinamização de um diálogo entre as pessoas e as instituições do "Alentejo Litoral" que aponte, fortaleça e sustente estas transformações. Penso que para tal será necessário pensar e construir uma inovadora solução de rádio que, podendo assentar sobre a existente pela qualidade que tem e que se lhe reconhece, deverá vir a ser capaz de "cobrir todo o Alentejo Litoral", quer no que se refere às suas populações (chegar a todas/os), quer na abordagem às temáticas centrais da região (fazendo-o de forma transversal a todo o território).
Concomitantemente, a imprensa escrita é, a par dos novos suportes de comunicação (assentes no modelo web), crucial e é por isso que dedico as minhas últimas palavras a este projecto jornalístico que congrega em si a audácia e coragem de quem o idealizou e o construiu, a oportunidade que o justifica e lhe confere significado e a relevância no espaço preponderante que certamente assumirá no pensar, no discutir e no construir deste nosso (de todas/os) "Alentejo Litoral".
E no fim, num primeiro fim, como cereja no topo do bolo, deveremos ter a reforma política que passo a passo se vai desenhando e na qual lutaremos para incluir o "Alentejo Litoral" como círculo eleitoral dando às populações que o constituem a justa oportunidade de eleger as/os suas/seus próprias/os representantes na Assembleia da República.
Façamos um bom bolo. Mereçamos uma boa cereja.



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