16h32 - quinta, 24/05/2018

Incompreensível e inaceitável


Carlos Pinto
Ao longo do último ano foram várias as vezes a que nos referimos neste espaço (e neste jornal) ao projecto do consórcio que junta a petrolífera italiana ENI à portuguesa GALP, visando a prospecção de hidrocarbonetos (leia-se petróleo) ao largo da costa alentejana. Sempre para considerar que esta intenção era completamente contraditória aos interesses regionais e nacionais, fosse porque coloca em causa os valores naturais locais, porque ameaça um sector importantíssimo (e em crescendo) como é o turismo ou porque vai ao arrepio daquilo que devem ser os esforços de Portugal no sentido de depender cada vez menos dos combustíveis fósseis.
Durante estes meses foram várias as vozes críticas ao processo, todas apresentando argumentos mais que válidos na oposição ao projecto da ENI e da GALP e muitas com acções concretas, por forma a tentar colocar termo ao mesmo, caso da providência cautelar apresentada pela Câmara Municipal de Odemira. Por tudo isto, e depois do que sucedeu no Algarve, era legítimo acreditar que o furo na bacia do Alentejo não iria mesmo avançar. Até que na passada semana a Agência Portuguesa do Ambiente deu "luz verde" ao consórcio, isentando-o de apresentar um estudo de impacto ambiental.
Ora esta é uma decisão incompreensível e inaceitável. Mas não tem de ser irremediável! Esperamos, portanto, que haja capacidade por parte de quem de direito para travar este processo, independentemente deste respeitar o que está contratualizado ou é exigido juridicamente. Porque neste caso, acima da lei tem de imperar o bom senso. E fazer um furo em busca de petróleo numa zona tão preciosa como é a mais bela costa do mundo não parece, de todo, uma boa decisão…

2. O mau estado das estradas nacionais que servem o concelho de Odemira voltam a estar em destaque nas páginas deste jornal [páginas 6 e 7]. Os problemas são os mesmos de há muito: ausência de conservação das vias e falta de segurança para os automobilistas. O diagnóstico está feito, exige-se agora acção. Tem a palavra a empresa Infra-estruturas de Portugal.



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