18h09 - quinta, 21/06/2018

A insustentável leveza do Interior


Carlos Pinto
A notícia surgiu de um dia para o outro, de chofre, quase sem dar tempo para ser totalmente apreendida e sem grandes hipóteses de obter uma justificação plausível: a Caixa Geral de Depósitos prepara-se para encerrar mais 70 balcões em todo o país até ao início de Julho, entre os quais o de Colos, no concelho de Odemira [ver texto ao lado]. A medida é justificada pelo banco público com o plano estratégico negociado com as autoridades europeias em 2016. Nessa altura, o Estado português e a Comissão Europeia acordaram o fecho de um total de 180 agências do banco em Portugal até 2020 como contrapartida pela recapitalização da instituição bancária.
Colos surge agora nesta fatídica lista… Mas numa terra com séculos de história e uma dinâmica muito própria, as reacções não tardaram. Autarcas, forças políticas e população são unânimes em condenar o mais que provável encerramento do único banco da terra. Um balcão que além de possuir mais de 3.500 clientes/ contas, é ainda mais importante por ser o único numa vasta área, servindo quatro freguesias do interior do maior concelho do país. Aí residem centenas de pessoas, sobretudo idosos, que terão agora de percorrer um mínimo de 30 quilómetros para poder movimentar as suas parcas economias (e lembremo-nos que há muito boa gente cuja reforma não excede os 300 ou 400 euros mensais).
A decisão da Caixa é incompreensível e inaceitável. Num banco gerido pelo Estado o interesse público deve sobrepor-se à frieza dos números e da estatística. "Riscar" do mapa uma agência só porque existe outra a 30 quilómetros de distância é irracional e inconcebível. Porque fechar um balcão em Colos (ou em qualquer terra do interior) não é o mesmo que encerrar uma agência em Massamá ou na Campanhã. Tem implicações sérias, económicas e sociais. E esta não é uma questão que se aplica apenas a bancos, mas a todos os serviços que são essenciais para as populações terem uma vida com a dignidade que merecem.
Ora numa altura em que o Interior está no centro de muitos discursos (políticos e não só), apercebemo-nos que o caminho a percorrer entre a teoria e a prática ainda é longo. Esta e outras decisões revelam a insustentável leveza do interior, que pouco vale para muita gente. Um quadro que tem, definitivamente, de ser alterado.



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