16h28 - quinta, 25/04/2019

O futuro é já amanhã!


Carlos Pinto
A greve dos motoristas de matérias perigosas da passada semana, além de "secar" muitos dos postos de abastecimento de combustíveis do país (Alentejo Litoral incluído), pôs a nú uma evidência: a economia portuguesa ainda depende em demasia das energias fósseis, nomeadamente do petróleo. É que bastaram três dias de paralisação e logo tocaram os sinos a rebate, dada a possibilidade do país parar literalmente por falta de gasóleo ou gasolina (e também devido a uma elevada dose de histeria e sofreguidão em grande parte da população/ consumidores).
Não obstante estas atenuantes, o sucedido nesses dias que antecederam a época pascal devem obrigar-nos a uma série reflexão sobre os pilares em que assenta a nossa economia. Não a questão do fim, mas a dos meios. Porque o ficou claro é que, independemente dos sectores, para que a "máquina" funcione e haja consumo e vendas é necessário haver… combustível! O que quer dizer que temos ainda um longo caminho a percorrer no processo de descarbonização da economia, onde as energias renováveis terão de assumir a posição agora ocupada pelas fontes energéticas fósseis.
Mas isso não se faz com um "estalar de dedos" ou com passes de mágica. É preciso estratégia e visão de médio e longo-prazo. E ter sempre em conta que processos desta natureza não evoluem da mesma forma em territórios de alta e baixa densidade. Nestes últimos as transformações implicam sempre riscos e desafios maiores, sendo indispensável uma visão global mas também local que impeça assimetrias ainda maiores do que as já se verificam nos dias de hoje. Porque o futuro é já amanhã e ainda há muito trabalho por fazer.

2. Um dos slogans mais populares em Portugal diz que "o que é nacional é bom". O anúncio ficou no ouvido de gerações e continua a fazer sentido, sobretudo numa sociedade cada vez mais higienizada e estandardizada, onde tudo é igual e tudo sabe ao mesmo. Por isso mesmo é de louvar a aposta que o Município de Odemira, juntamente com outras entidades do concelho, tem vindo a desenvolver na promoção de produtos tradicionais como o medronho, o mel ou, mais recentemente, as alcôncoras. Um trabalho que ajuda a preservar a memória destes sabores e que, mais importante ainda, abre novas janelas de oportunidade a estas verdadeiras "maravilhas" da nossa gastronomia.



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