12h03 - quinta, 21/05/2020

Autarquias presentes!


Carlos Pinto
As autarquias (câmaras municipais e juntas de freguesia) e seus eleitos são, muitas vezes, injustamente desconsiderados. Na esfera do Poder Central, lá para os lados do Terreiro do Paço (e noutros serviços do Estado), os autarcas são olhados de soslaio, como alguém de visão limitada, que não vislumbra para além do seu quinhão de território, incapazes de assimilarem a essência de uma estratégia mais global. Depois, localmente, são igualmente "mal-amados": ora porque o buraco no passeio daquela rua continua sem ser tapado, ora porque se fez aquela festa e não a outra, até porque há uma estrada nacional por reparar há anos (isto para não falar das desprezíveis conversas do "poleiro" e afins, alimentadas por "corajosos" anónimos de mesa de café).
Mas se dúvidas houvesse sobre a necessidade de termos municípios e juntas de freguesia e autarcas, tudo aquilo que temos passado desde meados de Março devido à pandemia de Covid-19 veio demonstrá-lo cabalmente. Foram as autarquias as primeiras a "arregaçar as mangas" e a colocar no terreno um sem número de medidas – algumas delas tão simples quanto essenciais – que ajudaram a minimizar os efeitos sociais e económicos do coronavírus.
Começaram por fazê-lo na área da prevenção, com o encerramento de serviços e o cancelamento de eventos. Depois vieram os serviços de apoio, nomeadamente aos grupos de maior risco entre as populações. E, numa fase posterior, surgiram as medidas de apoio económico-social às famílias, instituições locais e empresas.
Como se pode ler nas páginas ao lado, só no Alentejo Litoral as cinco autarquias da região implementaram cerca de uma centena de medidas que ajudaram, muito, as suas populações. A mais recente é a linha de apoio às micro, pequenas e médias empresas da região, lançada pela CIMAL, em parceria com a consultora Deloitte, para ajudar nas áreas da gestão, fiscalidade, jurídica e operacional, assim como "auxiliar as empresas na tomada de decisões e na implementação de medidas de resposta durante o ciclo de gestão de crise que as empresas enfrentam" devido à Covid-19.
Ou seja, em tempo de crise as autarquias cumpriram o seu papel e souberam dizer "presente". Caberá agora a todos nós dar sequência a este esforço. Com respeito pelas regras da nova normalidade. E com empenho nos nossos postos de trabalho.



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Data: 03/07/2020
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