16h35 - quinta, 13/10/2022

O estado a que o Estado chegou


Carlos Pinto
Uma edição recente do semanário "Expresso", publicada em setembro, apresentou um retrato exaustivo daquilo que apelidou de "administração pública obsoleta". Um quadro com que todos nos deparamos diariamente e que, no fundo, demonstra "um Estado a cair aos bocados". As parangonas não são excessivas, até porque ao longo da reportagem em questão foram apresentados diversos casos de serviços públicos com salas sem luz natural nem ventilação, paredes com infiltrações e mofo, tetos e elevadores que já caíram, ou a existência de baratas, ratos e outros bichos que mordem nos funcionários.
De acordo com o mesmo texto, nas Finanças de um concelho do Alentejo com quase cinco mil habitantes há apenas dois funcionários a trabalhar, ambos com mais de 60 anos. E em muitos serviços, da Justiça à Segurança Social, há computadores com mais de 15 anos de uso, que "não aguentam" tarefas simples e têm "velocidades de Internet verdadeiramente jurássicas".
No distrito de Beja são também alguns os exemplos desta triste realidade, nomeadamente o edifício onde outrora funcionou o Governo Civil e que acolhe serviços como a PSP, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras ou o Instituto da Mobilidade e dos Transportes. Também no Alentejo Litoral são vários os casos conhecidos de serviços públicos sem o mínimo de condições para funcionar, seja no plano das infraestruturas, seja no que diz respeito aos recursos humanos disponíveis.
Ora tudo isto é verdadeiramente intolerável e uma vergonha para o Estado (que, no fundo, somos todos nós). Se queremos uma administração pública competente e eficiente, célere na resolução dos problemas e capaz de dar resposta às solicitações, também temos de dotar os seus serviços de condições básicas para o seu bom funcionamento. Caso contrário, não se podem esperar milagres nem estranhar o mau atendimento de alguns funcionários.



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