11h01 - sexta, 18/04/2014

O mundo aqui


Hélder Guerreiro
Hoje vivemos tempos difíceis com o centro da Europa a viver um momento explosivo em torno de uma velha luta entre blocos continentais europeus (Rússia & Alemanha) pelo domínio de um bocado de terra que agora se chama Ucrânia (esse espaço territorial já se chamou outras coisas). Este é um caso mais centrado sobre objetivos de afirmação do que procura de gestão/controle de recursos. E isso é muito perigoso!
Poderemos não vir a ter uma guerra "civil" europeia, como tivemos noutros tempos, mas já estivemos mais seguros de um modelo europeu com salvaguarda de progresso e paz! As tais garantias e direitos adquiridos!
É neste cenário de crise que decorrem eleições para o Parlamento Europeu. Pela primeira vez, os maiores blocos políticos europeus indicam qual será o presidente da Comissão Europeia em caso de vitória. Esta tentativa de aproximação entre eleitores e eleitos parte de ideia de compromisso e de clareza nas propostas e quer criar a ideia de que os europeus estão a eleger diretamente o presidente de todos os europeus. É experimental porque é uma novidade, é arriscado porque aquilo que o presidente terá como poderes pode frustrar essa ilusão de eleição direta, mas é um passo no sentido certo de uma certa Europa Federal.
O problema é que esta tentativa de aproximação entre as pessoas e o seu "governo" europeu parece ocorrer num momento de crescimento dos partidos fascistas, antieuropeus e nacionalistas. Muitos agarram-se à ideia que vivemos, por toda a Europa, uma crise contextual que passará, e, que essa onda nacionalista, passará com ela. Com o progresso e o tal crescimento virá a bonança e o apagamento do fascismo, a resolução do caso Ucrânia e tudo voltará a ser como dantes. O problema é saber a qual dantes é que voltará a ser! A quais direitos, garantias e modelo social voltaremos!?
Já em Portugal é a loucura total. Não digo isto porque precisemos de atendimento psicológico enquanto povo. Digo isto porque li, sem querer, um título de um jornal nacional online que diz: "Governo reúne esta terça-feira para definir cortes de 2015". Dito assim parece um facto do nosso dia-a-dia. Uma reunião e uma decisão para o Portugal de 2015. Cortes!
O grande problema de tudo isto, aquilo que não é normal num povo, é considerar-se isto como uma questão do dia-a-dia como se o empobrecimento fosse uma fatalidade com a qual temos que viver e que todos os dias são bons dias para anunciar mais cortes na nossa qualidade de vida. Uma reunião do Conselho de Ministros e mais cortes de reformas, de salários, etc… Como é que uma sociedade pode viver assim sem notícia certa sobre o seu futuro?!
Este estado de permanente incerteza é chantageante, é redutor dos nossos direitos e liberdades e é inaceitável. Não é possível que admitamos que nos é possível acontecer tudo sem sabermos quando, como e porquê!
Assim, vamos ter mais cortes, vamos ter uma "troika" que já não sai antes das Europeias, e, pouco importa como saímos de tudo isto porque não merecemos saber. Teremos que esperar que nos informem!
É por isso que estes são tempos difíceis onde as nossas liberdades e garantias, o nosso modelo social, o nosso modelo democrático estão em risco. Mas, na verdade, as coisas preciosas estão sempre em risco de nos serem tiradas. Temos que crescer vivendo com esta luta permanente pelas coisas importantes.
Talvez por isso me ocorra dizer: "Viva o 25 de Abril!"



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