12h14 - quinta, 24/12/2015

Alterações climáticas


António Martins Quaresma
Neste Outono/Inverno que vai correndo atípico (ou será já típico), mormente no que respeita à temperatura, a conversa vai frequentemente para as alterações climáticas. Mesmo nos órgãos de comunicação social, nos intervalos de assuntos mais "populares", como o constante fait-divers futebolístico e outros que tal.
As alterações climáticas têm sido debatidas nas últimas décadas nos meios científicos e políticos e acabou por saltar para as preocupações do homem comum. No entanto, até ao ponto actual, tem havido resistências em admitir que se está perante uma situação problemática, ou, pelo menos, que os problemas se devem à acção humana.
A Terra tem um passado de alterações climáticas, como é comprovável na sucessão de períodos glaciares e inter-glaciares; mesmo nos últimos 10 mil anos, quando entrámos na fase pós-glaciar, em que estamos, o clima teve oscilações menores, como a "Pequena Idade do Gelo", iniciada no século XVI, cujos últimos episódios se verificaram no século XIX.
No entanto, a alteração da composição da atmosfera verificada no último século, em especial pela produção de CO2 (dióxico de carbono), proveniente sobretudo da queima de combustíveis fósseis, tem, é hoje reconhecido, provocado o "efeito de estufa" que está na base de significativas e preocupantes alterações no clima. Claro que as apreensões com os resultados da acção humana no ambiente não se reduzem ao CO2, nem à atmosfera: os mares, as reservas de água potável, a biodiversidade também sofrem graves impactos.
A gravidade das alterações climáticas, por si e pelas reacções em cadeia, que se preveem dramáticas, mesmo catastróficas, têm sido negadas, nomeadamente, pelos interesses ligados às empresas petrolíferas, adversas a uma política de contenção de emissão de gases com efeito de estufa. Os governos das grandes potências, em especial os dos EUA, reféns desses interesses, têm demorado a reagir: os EUA, os maiores poluidores do mundo, sob a presidência de George W. Bush, personagem de má memória, recusaram-se a ratificar o protocolo de Quioto, realizado em 1997 e ratificado nos anos seguintes, em que os países signatários se comprometeram a tomar medidas tendentes a melhorar a situação.
Já em Dezembro de 2015, foi realizada em Paris uma importante conferência sobre o clima, sob o patrocínio das Nações Unidas, onde se deram passos em frente e, pela primeira vez, houve unanimidade quanto à necessidade e urgência da solução do problema, embora muitos dos presentes tivessem considerado que se deveria ter ido mais além. Sendo certo que o assunto é complexo, os 195 países presentes concordaram em agir para manter o aquecimento global abaixo dos 2 graus centígrados e se possível em 1,5º.
Entretanto, realizou-se no próprio concelho de Odemira, como foi noticiado pelo Sudoeste, em Novembro passado, um workshop, em que o assunto foi tratado. Esta actividade, que reuniu entidades do concelho, ligadas a diversas áreas, enquadrou-se no projecto ClimAdaPT.Local, que tem como objectivo a elaboração de estratégias locais de adaptação às alterações climáticas e a formação de técnicos municipais. O projecto está a ser coordenado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e, além do concelho de Odemira, fazem parte mais 25 municípios.
As questões ambientais, em especial as alterações climáticas, só podem ser resolvidas com o empenho de todos, desde os poderes político e económico ao cidadão. E a sua solução é tão premente, quanto se sabe que dela está dependente o futuro da humanidade.



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