18h29 - quinta, 27/07/2017

Castelo de Milfontes: que rumo?


António Martins Quaresma
Há dias estava a reler e a corrigir um velho texto meu sobre o castelo de Milfontes e lembrei o tempo em que conduzi algumas visitas no seu interior, onde costumava explicar a organização do espaço e a sua arquitectura e contar alguns episódios da história do edifício. Era ainda viva Dona Margarida, viúva de Dom Luís (assim lhe chamava toda a gente), proprietários, que haviam adquirido o castelo em 1939, nele, após as necessárias obras, passando a residir. Contei sempre com a sua amável autorização para essas visitas.
Após o falecimento de Dona Margarida, o imóvel passou para o actual proprietário, que lhe fez obras e o reabriu como unidade hoteleira. Poucos anos depois, porém, fechou e foi posto à venda, situação em que ainda se encontra. O seu elevado preço não deve ser alheio ao facto de ainda não ter sido vendido.
O castelo encontra-se numa "encruzilhada". Vai manter-se privado? Decidirá o Estado (no sentido lato da palavra) adquiri-lo? Estas, parece-me, as duas questões básicas.
Penso saber que a administração local considera importante assegurar a disponibilização e o usufruto públicos do edifício, consciente do seu valor em termos culturais, simbólicos e turísticos. É compreensível, contudo, que a prudência comande uma decisão, pois os dinheiros públicos devem ser bem geridos.
Se há imóvel em todo o concelho que merece investimento público esse é o castelo de Milfontes. Aliás, em termos culturais, não existe qualquer outro disponível com este atributo. Um edifício carregado de história, uma arquitectura especial (não obstante algumas "maldades" sofridas), uma posição única sobre o estuário do rio Mira, tudo lhe confere essa valia ímpar, nos planos simbólico, cultural e turístico.
Um edifício que, ademais, suporta uma componente comercial (por exemplo, restauração), como uma das formas de utilização e para sustentabilidade do seu funcionamento.
Na verdade, um programa bem desenhado possibilitaria uma oferta multifacetada e equilibrada, que numa área turística, como é esta, teria um impacto altamente positivo. Seria uma "janela" aberta sobre o Mira e a sua história – um rio que é a "coluna vertebral" do concelho de Odemira – e constituiria um enorme passo para dotar o concelho de um equipamento cultural de excelência.
O rumo a seguir é, portanto, unânime, entre autarcas, agentes culturais e decerto empresários turísticos. Resta esperar pela sua feliz concretização.



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