09h38 - quinta, 14/12/2017

Em prol da História e do Património


António Martins Quaresma
O Centro Cultural Emmerico Nunes, de Sines, organiza anualmente, desde 2008, um Encontro de História do Alentejo Litoral, em que são apresentados e discutidos trabalhos de investigação sobre o território em causa, isto é, os concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira. No interior do Centro, um grupo de trabalho, de quatro pessoas, trata, em cada ano, do necessário para a sua realização, desde a proposta de um tema, aos contactos com três ou quatro conferencistas convidados, que se juntam aos cerca de 15 comunicadores, até à organização final do programa e aos aspectos logísticos inerentes.
Uma das facetas dos Encontros é a total ausência de encargos para os participantes. Não só os autores das comunicações estão isentos de pagamento de inscrição, como o almoço, de convívio, do primeiro dia é solvido pela organização. Quanto aos conferencistas é-lhes, naturalmente, paga a deslocação e a estada. Esta particularidade deriva do espírito que informou, desde o início, os Encontros. Aliás, eles são abertos ao público, cuja entrada é livre, como livre é a assistência às actividades culturais complementares (concertos musicais ou visitas guiadas).
Não contando com um orçamento avultado, apesar disso excessivo para a capacidade do Centro Cultural, os Encontros recebem, naturalmente, apoios, nomeadamente financeiros, de várias entidades públicas e privadas, que lhe permitem fazer face aos encargos envolvidos.
Sem a visibilidade pública de outros acontecimentos realizados na cidade de Sines, de que é exemplo maior o Festival Músicas do Mundo, os Encontros de História vão seguindo o seu caminho, de forma regular e segura. Oportunidade de encontro de arqueólogos, historiadores, geógrafos e especialistas do património cultural, entre outros, a produção científica dos Encontros é já assinalável, achando-se parcialmente contida nos volumes de actas já publicados.
Uma das questões por vezes afloradas durante os Encontros prende-se com a sua dimensão, em termos do número de participantes e assistentes, que anda pelos 40, e com a divulgação, nomeadamente nos meios de comunicação social. A organização considera, porém, que a escala do Encontro é a adequada, apenas sendo de esperar maior participação de professores das escolas da região, o que, na realidade, não está na sua mão resolver. Por outro lado, possivelmente por uma questão cultural, ou, pelo menos, de idiossincrasia, o grupo que prepara os Encontros não parece inclinado à utilização dos media, além dos locais, prestando toda a informação através de outros meios, nomeadamente correio electrónico e redes sociais. Na realidade, vai fazendo o seu trabalho sem alardes, mas de forma consistente.
Em 28 e 29 de Outubro de 2017 realizou-se o 10º Encontro, facto que deu origem a uma apreciação e um balanço críticos, por parte da organização, em que foi decidido continuar com o mesmo modelo, ainda que com ajustes de pormenor, sempre que necessário.
Iniciativa da "sociedade civil", assente no voluntariado de algumas pessoas, fora da Universidade, mas mantendo ligações com ela, independente de autarquias ou outros poderes políticos, mas sem enjeitar o diálogo com eles, os Encontros de História ocupam hoje um espaço, nos planos cultural e da investigação histórica regional.



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