12h49 - quinta, 18/01/2018

Várias...


António Martins Quaresma
1.Beatas
Há dias, num dos meus passeios ao Farol, em Milfontes, vi, no passeio, um pequeno monte de beatas, resultado da limpeza do cinzeiro de um automóvel. Há alguns anos, a cena era mais frequente do que agora e talvez por isso fiquei particularmente desagradado. O pequeno gesto de retirar o cinzeiro cheio e sacudi-lo na via pública é sinal de escassa educação cívica, e quem o faz também é capaz de outros mais sérios. Aliás, no dia-a-dia, assiste-se a inúmeras situações deste tipo, às vezes até com "justificação": um comerciante justificava-se, há tempos, de não separar os tipos de lixo porque pagava à Câmara para que esta o fizesse.
Voltando às beatas, dei por mim a congeminar que o seu autor até tem os mesmos direitos de quem tem sentido cívico. Por exemplo o seu voto nas eleições tem o mesmo valor. Mais, possivelmente é daqueles que, aproveitando os direitos da democracia, passa a vida a acusar os outros disto e daquilo.
Aqui fiz um travão à corrente do pensamento, pois, por pouco, estava a retirar direitos políticos a estes indivíduos, pelo facto de, afinal, não pensar como eles. Claro que a noção da superioridade do meu pensamento, mantenho-a, mas não posso enveredar pela ideia da justeza da suspensão de direitos.

2.Línguas
Numa altura em que a língua inglesa se impôs em todo o mundo como língua franca, o mesmo se verifica em Portugal. Apesar disso, os inúmeros documentários e filmes, que passam nos canais da TV e nos do cabo, são legendados em português, o que acho natural. É preferível a legendagem que a dobragem.
Nesses documentários e filmes, as traduções são frequentemente toscas, por vezes, mesmo, desconexas, pois é mais barato assim. Mas uma das "virtudes" dessas traduções é mostrar a ignorância dos tradutores sobre os temas tratados e no fundo sobre a língua portuguesa. Exemplos: é comum que a tradução do nome do filósofo grego Platão surja Plato, como em inglês; que o raio produzido pela trovoada seja traduzido por relâmpago, uma vez que as duas palavras são em inglês lightning; etc. Tem também piada quando o tradutor não se entende com a tradução da palavra you, que, em português, não é sempre o mesmo, dependendo do contexto, nomeadamente social.

3.Manha
Há, na minha terra, um sujeito que é tão manhoso quanto verboso. Uma das suas especialidades é usar o engenhoso processo de elogiar excessivamente uma pessoa, num contexto de inevitável comparação com um terceiro, para rebaixar esse terceiro. Mata assim dois coelhos com uma só cajadada, uma vez que realiza a vontade de vexar alguém e consegue também insinuar-se no juízo da pessoa lisonjeada. Um verdadeiro artista!
Embora especial, este caso passa-se a uma escala doméstica e algo artesanal. Na realidade as mensagens emitidas com segundas intenções, do género mensagem subentendida ou subliminar, são frequentes em vários tipos de discurso. No fundo, é uma forma de "levar a água ao seu moinho".
Procurando evitar ver, de modo paranoico, mensagens escondidas em todo o lado, é importante ter a consciência de que se pode ser influenciado, seja no discurso político, seja no publicitário comercial, seja em qualquer outro, por técnicas de comunicação manipulatórias.



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