09h39 - quinta, 15/02/2018

Super-idosos!


Cláudia Silva
O aumento da esperança média de vida conduziu a um envelhecimento da população mundial, prevendo-se que, em 2060, a população com 65 ou mais anos de idade represente cerca de 32% da população (INE, 2012). Em Portugal, a esperança de vida aos 65 anos aumentou de 2,2 anos em 2001 para 19,9 anos em 2011. É sabido que nem sempre este aumento de número de anos de vida corresponde a anos com saúde. Aliás, aos 65 anos os homens podem esperar viver, em condições de vida saudável sem limitações funcionais e incapacidade, 7,8 anos (43.8% do seu tempo restante de vida) e as mulheres 6,3 anos (29.2% do seu tempo restante de vida). De outra perspectiva, em 2011 os homens tenderiam a viver 10 anos com incapacidade e as mulheres 15,3 anos (PORDATA, 2014). Mas sendo estes dados médios, haverão pessoas que viverão mais anos com saúde e outras menos, certo?
O envelhecimento é um processo natural, dinâmico, progressivo e irreversível que acompanha o ser humano desde o seu nascimento até à sua morte. É um fenómeno pessoal e de variabilidade individual, que está associado a um conjunto de alterações biológicas, psicológicas e sociais que se processam ao longo do ciclo vital. Cada vez é mais comum encontrarmos pessoas com mais de 80 anos, que a OMS designa por "grande idoso", que são autónomas, sem incapacidade funcional. Recentemente no Brasil foi adoptado o termo "Super-idoso" para se referir às pessoas com mais de 80 anos, o que achei curioso por parecer ressaltar os aspectos positivos de viver mais anos.
Se pensarmos em personalidades octogenárias perfeitamente lúcidas e autónomas, e que exerceram/ exercem a sua actividade profissional, rapidamente surgem nomes como o de Mário Soares, Daniel Serrão, Sophia de Mello Breyner, Manuel Sérgio, Papa Francisco, Sean Connery ou Morgan Freeman. Mas se alguma dúvida restar quanto ao estilo de vida destas personalidades, que poderá ter sido mais saudável pela acessibilidade que a ausência de dificuldades financeiras pode proporcionar, tal é refutado quando encontramos pessoas ditas anónimas, com quem nos cruzamos no dia-a-dia ou conhecemos através dos vários meios de comunicação que publicitam a sua idade como algo inédito. Afinal, qual é o segredo para que determinadas pessoas cheguem aos 80 anos (ou mais) com mais saúde que outros? Deferirá pelo estilo de vida praticado ao longo dos anos? Ou haverá uma causa genética? Ou resultará da conjugação de diversos factores? O processo de envelhecimento constitui o objecto de estudo de diversos investigadores.
O Instituto do Envelhecimento da Faculdade de Medicina Albert Einstein, no Bronx (EUA), está a desenvolver um estudo que implica a recolha de DNA de 600 pessoas com mais de 90 anos, tendo como objectivo descobrir os genes da longevidade. O estudo encontra-se numa fase muito inicial, contudo, o director do instituto, Nir Barzilai, diz-se surpreendido pelo facto das pessoas incluídas no estudo apresentarem estilos de vida pouco saudáveis. Mais de metade tem excesso de peso e fumavam. Terá a saúde mental maior influência na longevidade que os estilos de vida? Vários investigadores afirmam que envelhecer "bem" está relacionado com o treinamento do cérebro e não apenas com o corpo. Enquanto esperamos por novidades da comunidade científica, será importante que façamos o nosso papel, mantendo-nos activos fisicamente e do ponto de vista cognitivo.
Espero que cada vez mais possamos viver mais anos com saúde, e, já agora, que daqui por 30 anos todos possamos ser SUPER-IDOSOS!



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Data: 30/11/2018
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