16h34 - quinta, 24/05/2018

As centralidades adiadas pelo PNPOT


Hélder Guerreiro
A sustentabilidade dos territórios é uma discussão tanto global como local e por vezes parece pouco relevante para a ação politica do dia a dia. Na verdade, este forte consumo de energias no dia a dia não tem permitido um olhar e uma ação politica sobre questões centrais como a definição e implementação de politicas territoriais, integradas e escalares de atratividade dos territórios.
Com isto não quero dizer que a nível local não exista um forte empenho dos autarcas na promoção de politicas locais de atratividade dos seus territórios. Antes pelo contrário, os autarcas, na sua generalidade, são os primeiros a sentirem a necessidade e vontade de tudo fazerem em prol do território que consideram o melhor do mundo, neste caso, cada um dos seus concelhos!
O grande problema deste impulso é que o somatório dessas ações locais não representa uma ação capaz de inverter os processos de despovoamento a que temos assistido na nossa região. Mais do que aquilo que eu afirmo, os números do INE, relativos às ultimas décadas, são demolidores para o Baixo Alentejo.
Tinha prometido voltar ao tema das cidades e ao seu papel central no jogo da atratividade do território para garantir a sustentabilidade demográfica dos territórios. Sabemos todos hoje que já não está assegurada a reposição natural em termos demográficos, pelo que é fundamental atrair residentes, mais jovens e, se possível, mais qualificados. Resta dizer que, nesta disputa por recursos humanos, está todo um país.
É verdade que, com este texto, gostava de lançar uma discussão/reflexão sobre as questões da centralidade urbana e sobre a melhor forma de organizarmos uma região assente nos seus pólos urbanos e nas relações que podem e devem estabelecer entre si para que o Baixo Alentejo seja, pelo menos, capaz de encontrar as formas de gerir, da melhor forma, a baixa densidade demográfica que tem (e sempre terá) bem como de prover os serviços públicos adequados ao perfil demográfico que tem e terá a médio longo prazo.
Queria fazer isso, mas fui atropelado pelo facto de este ser o mês da discussão publica da proposta de Programa Nacional da Politica do Ordenamento do Território (PNPOT). Por causa disso queria apenas referir duas coisas simples: este é um documento absolutamente fundamental para a definição daquilo que será a nossa região e o país nas próximas décadas; este documento tem, de facto, bem identificados os desafios para todos os territórios.
Para alem dos desafios que tão bem identifica, este documento é mesmo muito importante pois: assume uma proposta de "modelo territorial" que, para além das cidades e das ligações, olha para os espaços rurais que estão além das cidades e que precisam de uma abordagem diferenciada; faz uma opção por um "sistema urbano policêntrico" onde a rede de espaços urbanos e a relação desses espaços urbanos com os espaços rurais assumem um papel decisivo para o futuro demográfico dos territórios; e define, de forma clara, aqueles que são os centros regionais ou, dito de outra forma, as "cidades" centrais/ estruturantes do Baixo Alentejo.
Por tudo o que representa este documento, é fundamental que as instituições do Baixo Alentejo promovam um debate alargado sobre o seu conteúdo. Mais do que uma oportunidade ou do que uma obrigação coletiva de participar, este é um processo que garante que a região contribui para o seu próprio futuro.

* o autor utiliza o novo
Acordo Ortográfico



Outros artigos de Hélder Guerreiro

COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado
07h00 - sábado, 20/10/2018
Sociedade S. Teotoniense
apresenta nova peça
O Grupo de Teatro Sénior da Sociedade Recreativa São Teotoniense, de São Teotónio, apresenta neste sábado, 20 de Outubro, a peça "A galinha, a burra e a flor".
07h00 - sábado, 20/10/2018
Bombeiros de Odemira
comemoram 83 anos
Os Bombeiros Voluntários de Odemira celebraram nesta semana 83 anos de actividades, data assinalada na manhã deste sábado, 20 de Outubro, com uma série de iniciativas.
07h00 - sábado, 20/10/2018
Prémio do Conto
entregue em Santiago
A Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca, em Santiago do Cacém, recebe neste sábado, 20 de Outubro, pelas 16h00, a cerimónia de entrega do XII Prémio Nacional de Conto "Manuel da Fonseca".
07h00 - sexta, 19/10/2018
Trabalho desde 2014 na integração de migrantes
Foi em 2014 que a Câmara de Odemira começou a trabalhar a problemática da chegada de muitos migrantes ao concelho, o que acabou por resultar na implementação, um ano depois, do "Odemira Integra".
07h00 - sexta, 19/10/2018
Odemira aposta na
integração de migrantes
Os números são elucidativos: no final do último ano 18,8% da população residente no concelho de Odemira era migrante legalizada, num total de 4912 habitantes de 68 nacionalidades (na maioria da Ásia), o que constitui 57,8% dos migrantes registados em todo o distrito de Beja.

Data: 19/10/2018
Edição n.º:
Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial