07h00 - quarta, 08/09/2021

"Odemira foi, quase sempre,
um território muito mais aberto
do que se poderia suspeitar"

"Odemira foi, quase sempre, um território muito mais aberto do que se poderia suspeitar"

São mais de mil páginas, divididas por três volumes, em que se faz um "ponto da situação" do concelho de Odemira, dando também a conhecer "novas e estimulantes perspetivas para o seu entendimento a uma escala global". Editada pela Câmara Municipal e pela associação Pedra Angular, a obra Odemira: Património, Religião, Sociedade e Território, da autoria dos historiadores António Martins Quaresma e José António Falcão, é fruto de 15 anos de trabalho e vai ser publicamente apresentada nesta quarta-feira, 8, pelas 11h00, no cine-teatro Camacho Costa, em Odemira. Os dois autores responderam em conjunto às respostas colocadas pelo "SW".

Esta obra pode ser considerada uma espécie de "História do Concelho de Odemira"?
É uma proposta de leitura integradora do passado do concelho, assente sobretudo em quatro dimensões que nos pareceram essenciais para a sua compreensão: o património, a vida religiosa, a organização social e a estrutura territorial, especialmente a partir da Idade Média. Simultaneamente, ela ambicionou entender, a partir da malha fina da organização eclesial, a evolução espácio-temporal do território de Odemira. A partir daqui, traçámos a nossa perspetiva do conjunto, intentando que fosse o mais abrangente possível, dentro de um espírito de equilíbrio.

Que podem os leitores encontrar ao longo das mais de 1.000 páginas desta obra?
Uma visão, fundamentada na análise das fontes documentais conhecidas, muitas das quais inéditas, sem esquecer as fontes orais, sobre as diversas unidades do território e, claro está, a evolução deste e das comunidades que o habitam (ou habitaram). Além de uma perspetiva global, debruçámo-nos sobre as diferentes freguesias com pormenor, buscando o geniusloci de cada uma, o sentido da sua identidade mais profunda, que resulta amiúde de um cruzamento entre a geografia e a história.

Afirmam que esta obra "revela novas e estimulantes perspectivas" para o entendimento do concelho de Odemira "a uma escala global". Podem levantar um pouco do "véu?
Trata-se de inserir as dinâmicas locais numa dinâmica mais vasta, ao nível regional, nacional e, quando é o caso disso, internacional. Odemira e o seu hinterland foram, quase sempre, territórios muito mais abertos do que se poderia suspeitar à primeira vista. Quisemos ir além das convenções de uma certa historiografia mais tradicionalista, presa a idiossincrasias às vezes demasiado particularizadas, e esboçar um panorama geral, devidamente documentado. Procurámos deixar de lado especulações e ater-nos aos factos, mas sem colocar de lado a matriz humana dos protagonistas de uma "história coletiva", que interpretamos num sentido comunitário. Entre indivíduos e grupos, detetam-se interações dignas de atenção.

Como surgiu este projeto?
Do sentimento de que o património concelhio, em particular o de feição religiosa, atravessa uma fase de profunda erosão, impondo-se registar-lhe a fisionomia e a razão de ser mais profundas. Fizemo-lo quase como um dever de ofício: o historiador tem a obrigação de dar utensílios aos seus contemporâneos não só para a compreensão do pretérito e do presente, mas para a preparação das escolhas futuras. Escolhas que vão revelar-se decisivas durante os próximos anos, mormente em questões de sustentabilidade, no concelho de Odemira.

O que foi mais desafiante na concretização deste projeto?
Conseguir abarcar um território bastante vasto e com dinâmicas relativamente diferenciadas, o que nos obrigou a ensaiar metodologias novas, em alguns aspetos. Isto requereu a análise de casos comparativos, mas também uma presença efetiva no terreno. O desafio foi duro, mas francamente compensador, devemos realçar. Dedicámos muito tempo à escolha da cartografia e da fotografia, assim como à elaboração de uma bibliografia sistemática, embora selecionada, e de um apêndice documental. São materiais úteis a outros investigadores ou a simples interessados.

Depois deste trabalho, fica ainda muito por dizer sobre o concelho de Odemira?
A investigação histórica, à semelhança do que sucede noutros ramos do saber, é um exercício sempre incompleto. Acreditamos que esta obra oferece um "ponto de situação" que poderá estimular outros contributos. Odemira já possui uma bibliografia bastante vasta, mas há sempre dados que se vão descobrindo, novas interpretações, novas questões para interrogar o passado. Sendo este um texto que aprofunda o conhecimento sobre a história e o património de Odemira, ele não veda a possibilidade de o trabalho continuar. Pelo contrário, pretende estimulá-lo.


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