17h18 - quinta, 29/07/2021

O que dizem os Censos 2021?


Carlos Pinto
Depois de um processo de recolha de informação que durou cerca de dois meses, já são conhecidos os resultados preliminares dos Censos 2021. E os dados revelados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) suscitam muitas questões e obrigam a uma reflexão aprofundada sobre os números apurados no país… e sobretudo na região.
Mas vamos, desde logo, aos factos: o concelho de Odemira foi o único em todo o Alentejo que aumentou a população residente na última década, passando de 26.066 habitantes em 2011 para 29.523 em 2021, o que corresponde a um aumento de 13,3%.
Por oposição, os restantes quatro concelhos do Alentejo Litoral registaram todos um decréscimo na sua população na última década: menos 0,2% em Sines, menos 6,5% em Santiago do Cacém, menos 6,7% em Grândola e menos 14,7% em Alcácer do Sal.
Um quadro que se verifica igualmente nos 13 concelhos que constituem o Baixo Alentejo, com destaque (muito negativo) para Barrancos, que perdeu 21,8% da sua população na última década, naquele que é o maior decréscimo populacional registado em todo o país.
Costuma dizer-se que factos são factos e que os números não enganam: infelizmente, a nossa região (e todo o interior) está a perder população – com a exceção de Odemira, o que terá a sua explicação em função do crescimento das comunidades migrantes – e tal é comprovado pelos dados do INE.
A hora agora é de escalpelizar estes resultados e tentar perceber as origens dos mesmos, seja a montante seja a jusante. Algumas são por demais evidentes, mas mesmo assim não deixa de ser necessário "apertar a malha" e tentar descodificar estes números concelho a concelho, freguesia a freguesia.
Feito esse trabalho, será urgente quem de direito – nomeadamente o governo – avançar com uma estratégia pensada com "cabeça, tronco e membros", com medidas práticas, concretas e, sobretudo, efetivas, que sejam capazes de dar resposta às necessidades de um interior cada vez mais desertificado. Medidas a "sério", que não se fiquem pelas intenções ou pelo acessório. Medidas que dinamizem estes territórios, que valorizem o tecido económico, que promovam a coesão e que permitam o incremento de postos de trabalho.
Caso contrário, nos Censos de 2031 o cenário poderá ser ainda pior. Se ainda houver por cá gente para responder aos inquéritos.



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