16h40 - quinta, 21/03/2024

Sines, a expansão da cidade depois do porto (3)


Silvano Silva
O artigo aborda as mudanças no território de Sines devido à implementação do complexo industrial e do porto de águas profundas. As características naturais da Costa de Sines, aliadas à sua posição estratégica, proporcionaram as condições ideais para o desenvolvimento de um porto de águas profundas. Este porto trouxe à cidade de Sines um maior conforto económico. No entanto, a própria cidade acaba por ser prejudicada pelas condições naturais que possibilitaram a construção do porto; os diversos trabalhos realizados no território acabaram por estrangular o aglomerado urbano em detrimento de vários equipamentos portuários e industriais. O objetivo do trabalho é traçar uma linha transversal da cidade de Sines ao longo da construção do porto.

Organização do espaço
A implantação do Porto de Águas Profundas e dos complexos industriais na região de Sines levou o GAS a realizar um estudo sobre reforço habitacional, que poderia envolver a criação de um novo núcleo urbano ou a expansão de dois locais selecionados: Sines e Santiago de Cacém. O GAS expôs os problemas que poderiam surgir dessa necessidade, incluindo a escolha do local de implantação, a definição dos fatores que caracterizam uma cidade e a sua articulação regional e nacional, além de questões de natureza sociológica (GAS, 1973, p.207).
Para iniciar o trabalho de planeamento, a escala da expansão que se previa era crucial. Com base nos relatórios elaborados sobre a localização de uma área industrial, o GAS estabeleceu uma meta populacional em torno de 100.000 habitantes para o planeamento urbano. De acordo com o GAS, essa informação sobre o número esperado de habitantes permitiria caracterizar o desenho urbano e reservar áreas e horizontes com potencial de evolução. A preocupação do Gabinete da Área de Sines, ao realizar o planeamento de um novo aglomerado urbano, era a capacidade de acolhimento e a ausência de limites para a expansão do novo aglomerado.
Os princípios da organização tinham como base a formulação de hipóteses alternativas para a organização do espaço e a definição de objetivos.
Dado que não havia capacidade para caracterizar o crescimento e as características da população, foram elaborados esquemas para proporcionar uma maior flexibilidade de adaptação às variações dos fatores. Esses esquemas tinham como objetivo primordial garantir o desenvolvimento mais favorável dos setores que comporiam a cidade, incluindo as áreas portuárias, industriais e urbanas. Além disso, os esquemas visavam atingir os seguintes objetivos (GAS, 1973, p.208).

ii) Um segundo objetivo é o de que, para além de assegurar as melhores condições a cada um desses sectores, o custo em que aquelas possam ser
obtidas sejam mínimos (GAS, 1973. P.208).

iii) Um terceiro objetivo é o da obtenção de um esquema que no mais curto espaço de tempo possibilite um crescimento auto-sustentado da área do ponto de vista económico e a obtenção de uma estabilidade de natureza social. Sendo inevitável, dada a escala de expansão prevista de 16.000 habitantes atualmente existentes na área para 100.000, a transformação da estrutura social existente na área, importa garantir o seu melhor processamento (GAS, 1973. P.208);

iv) Um quarto objetivo, também de natureza qualitativa, é o de utilizar da melhor maneira os recursos naturais e actividades existentes, isto é, as potencialidades efectivas da área (GAS, 1973. P.208);

v) Um último objetivo é o de garantir a maior acessibilidade ou faculdade de comunicações, quer entre os vários sectores entre si, quer ainda da área com o exterior, quer internamente em cada sector; manter dentro dos limites aceitáveis os custos de transporte entre áreas de trabalho e áreas residenciais; assegurar pela proximidade entre áreas portuárias e industriais que os transportes não induzam custos de funcionamento elevados (GAS,
1973. P.208).

As variáveis mais importantes agrupavam se em dois conjuntos, segundo as necessidades de cada setor urbano, industrial e portuário, depois de trabalhadas as análises concluiu-se que:
i) O Porto constitui o fator mais importante de organização do espaço, de uma vez que os graus de liberdade da sua localização são reduzidos: Baía de Sines e São Torpes (GAS, 1973. P.208);

ii) Indispensável garantir a longo prazo a possibilidade da expansão ilimitada do porto (GAS, 1973. P.208);

iii) Relação de continuidade entre as áreas portuárias e as de indústrias de base, desde início previsíveis, e garantir as suas possibilidades de expansão (GAS, 1973. P.208);

iv) Localização de áreas urbanas de forma a se reunirem as melhores condições para uma expansão ilimitada. Importa garantir não só a fase de arranque, sempre problemática em problemas desta natureza, mas também não impedir o seu desenvolvimento futuro (GAS, 1973. P.208);

v) Necessidade de uma zona de proteção natural entre áreas urbanas e de indústrias de base, tendo em conta os fatores meteorológicos locais mais favoráveis, e não inferior a 6 km para a refinaria e de 8 km a 10 km para parques de minério (GAS, 1973. P.208);

vi) Assegurar um total de 15.840 hectares para Instalações Portuárias, Áreas indústrias, Áreas Urbanas e Zonas de proteção e conservação da natureza;

A elaboração dos esquemas para a organização do espaço, eram avaliadas sobre as vantagens e características da área, sobre os
seguintes parâmetros:

a) Um centro urbano, que em princípio podem ser significativos para o desenvolvimento previstos: Sines e Santiago de Cacém (GAS, 1973. P.210);

b) Rede de estradas existentes, constituída pela estrada Sines-Santiago do Cacém e a variante à EN 120. (GAS, 1973. P.210);

c) Preservação das vastas áreas florestais existentes e a conservação das áreas de equilíbrio ecológico precário (GAS, 1973. P.210);

d) Utilização das áreas de maior capacidade para diferentes sectores, isto é, as de maior valor agrícola (GAS, 1973. P.210).



Trulli
Esquema A1 Estudo Localização do Novo Aglomerado Urbano. 1972. Gabinete da Área de Sines (1973). Plano Geral da Área de Sines. Lisboa: Imprensa Nacional da Casa da Moeda




Trulli
Esquema A2 Estudo Localização do Novo Aglomerado Urbano. 1972. Gabinete da Área de Sines (1973). Plano Geral da Área de Sines. Lisboa: Imprensa Nacional da Casa da Moeda




Trulli
Esquema A3 Estudo Localização do Novo Aglomerado Urbano. 1972. Gabinete da Área de Sines (1973). Plano Geral da Área de Sines. Lisboa: Imprensa Nacional da Casa da Moeda




Trulli
Esquema A4 Estudo Localização do Novo Aglomerado Urbano. 1972. Gabinete da Área de Sines (1973). Plano Geral da Área de Sines. Lisboa: Imprensa Nacional da Casa da Moeda




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