quinta-feira, 04/12/2025

Lagoa Salgada: Mais economia ou mais ambiente?


Carlos Pinto
A empresa Redcorp – Empreendimentos Mineiros pretende avançar, já no próximo ano de 2026, com o arranque da construção do projeto da Mina da Lagoa Salgada, num investimento global de 196 milhões de euros nos concelhos de Grândola e de Alcácer do Sal e que prevê a criação de 300 postos de trabalho diretos (e mais 700 indiretos).
O projeto implica a construção de infraestruturas para produção de energia fotovoltaica para autoconsumo, lavaria, acessos, estaleiro, central da pasta, bacia de retenção de águas pluviais, estação de tratamento de águas e subestação elétrica.
A produção estimada para a Mina da Lagoa Salgada, que poderá entrar em fase de exploração no segundo semestre de 2027, é de 5.480 toneladas diárias de minério, durante uma vida útil de 11 anos.
Tendo em conta a realidade dos atuais projetos mineiros de Aljustrel e de Neves-Corvo (no concelho de Castro Verde), a criação de uma mina nesta região pode representar uma enorme mais-valia para a sua economia, seja por via dos salários, seja pelos proveitos dos negócios associados à atividade por parte de empresas locais.
Contudo, a atividade comporta igualmente imensos riscos, sobretudo do ponto de vista ambiental e da salvaguarda dos recursos naturais de uma região que faz destes dois fatores “pilares” essenciais para a dinamização do turismo no seu território.
Por isso mesmo, e tal como lhe damos conta no texto ao lado, as câmaras de Grândola e de Alcácer do Sal já manifestaram a sua oposição ao projeto da Mina da Lagoa Salgada no âmbito do seu processo de consulta pública, que decorreu até ao passado dia 27 de novembro.
No caso da Câmara de Grândola, a autarquia aprovou a sua “oposição total e incondicional” ao projeto por considerar inaceitáveis os riscos ambientais, sociais e económicos associados ao investimento.
Por sua vez, a Câmara de Alcácer do Sal deu parecer desfavorável ao projeto por considerar que este “não é uma mais-valia” para o concelho, além de poder vir a causar “impactos negativos” no aquífero e nos setores da agricultura e floresta.
São estes dois “pesos” que estão neste momento na balança: de um lado, a mais-valia económica de um projeto que pode alterar a realidade do território; por outro, os riscos ambientais provocados pela atividade extrativa, que poderão colocar em causa a maior riqueza da região.
A decisão final cabe agora à Agência Portuguesa do Ambiente e será sempre controversa. Mas nesta (como em todas as decisões) deve prevalecer a vontade das populações, a salvaguarda do ambiente e a proteção da saúde.

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