11h25 - quinta, 10/08/2017

O cérebro: o que somos, o que fomos e o que seremos


Cláudia Silva
O cérebro, um órgão peculiar, complexo e misterioso. Descrito por muitos como o 'órgão pessoal' por excelência, que define a identidade pessoal de cada um. Podemos pensar que determinada pessoa poderá fazer um transplante de córnea, rim ou coração e continuará a ser a mesma, mas se imaginássemos um transplante de cérebro…? O cérebro é a essência daquilo que nos define como seres humanos. O médico Daniel Serrão falava-nos no "cérebro executivo" (lobo pré-frontal, rudimentar nos grandes símios), sede da intencionalidade, da invenção do futuro e planeamentos de vida, que nos distingue dos animais. Diz-nos que assume esta capacidade como a auto-consciência, e relacionada com a noção filosófica-teológica de espírito. Para a psiquiatra Nancy Andreasen cada um de nós tem um cérebro singular, com capacidades específicas que podemos aumentar e desenvolver pela estimulação ou desperdiçar pela inactividade intelectual e por hábitos de vida que não sejam saudáveis.
O processo normal de envelhecimento provoca alterações de algumas capacidades cognitivas, nomeadamente no que se refere à memória, que diminui ao longo da idade. Contudo, o declínio cognitivo verificado aplica-se às funções gerais e executivas e, em particular, as que exigem atenção, rapidez, concentração e raciocínio indutivo. A prevenção/atraso deste processo faz-se ao longo da vida, mantendo-se mentalmente activo. Contudo, o treino cognitivo nas pessoas na Grande Idade é possível, podendo melhorar o desempenho em tarefas cognitivas e prevenir o seu declínio. Este consiste em actividades que estimulam diversas funções cognitivas como atenção, memória, linguagem, e velocidade de processamento (entre outras), devendo respeitar o perfil e individualidade de cada pessoa. A perda de funções cognitivas, da identidade, é responsável por parte dos receios e estereotipos associados ao processo de envelhecer, pelo que a maior acessibilidade a este recurso constituiria um avanço enorme na prestação de cuidados de saúde à população. Muito ainda há a fazer para que esta seja uma realidade acessível a todos, é certo, mas o muito que há para fazer só nos pode desafiar a andar para a frente. Porque o nosso cérebro, afinal, nos define o que somos, o que fomos e o que seremos!
O cérebro humano é, na verdade, um instrumento poderoso e maravilhoso! "Poderoso porque, sem ele, não seríamos os extraordinários animais culturais que somos. Maravilhoso porque não sabemos como é que, por este cérebro, somos o que somos" (Daniel Serrão in O que é o cérebro).



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